A propósito de uma conversa tida este fim-de-semana acerca da liberalização do mercado de trabalho, lembrei-me de algo que presenciei no início da minha carreira profissional, mais precisamente há seis anos.
Nesse tempo trabalhava numa empresa de componentes para automóveis e estava perante a difícil tarefa de sensibilizar operadores de linha para a segurança no posto de trabalho.
Numa das acções de formação, um dos operários sai-se com esta:
- Olhe, eu trabalho aqui há trinta anos e nunca precisei dessas coisas, por isso se quiserem mudar, mudem...Mas mudem para os outros, porque eu vou continuar a trabalhar da mesma maneira!
A resposta foi pronta e versava a necessidade de mudança, para que todos fossem mais produtivos e a empresa fosse competitiva (Sim, aquela conversa da treta que nos ensinam na universidade...), ao que o operador responde, segundos depois de tirar a cera do ouvido:
- Oh! Isso não é para mim...E se estão mal, despeçam-me!
Mais tarde encontrei uma alcunha para este tipo de colaborador: Carcaça.
Sim carcaça, pois são autênticos pesos-mortos que dificilmente aceitam a mudança e têm uma visão muito física do que é o trabalho.
Esta pequena história liga-se ao debate da Flexisegurança porque apesar de ter ideais mais próximos da Esquerda política, acho que a CGTP, o PCP e o BE estão do lado errado da barricada, pois o sistema que defendem poderá ser muito igualitário em abstracto, mas na verdade só defende os medíocres, as carcaças que sabem a dificuldade em serem despedidos e portanto usam a Lei do Menor Esforço como mantra diário.
Para as carcaças picarem o ponto todos os dias rumo à (Pré-)Reforma dourada, muitos outros dariam o ** e mais cinco tostões para estarem na posição que estas mesmas carcaças putrefactas desdenham às Segundas de manhã. Onde está a igualdade desta situação?
Por isso venha daí essa Flexisegurança, a qual vem tímida, tardia e de âmbito limitado, pois gostava de a ver aplicada em certos sectores do Estado...

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