quinta-feira, julho 01, 2004

Este é o teu Hino

COMO NASCEU "A PORTUGUESA"

Em 1890, a Grã-Bretanha impôs um ultimato exigindo a Portugal que desistisse das suas pretensões de ocupar os territórios entre Angola e Moçambique, unindo assim as duas colónias.

Apesar do descontentamento popular, o Governo da Coroa foi forçado a aceitar o ultimato, o que contribuiu para a impopularidade do Rei D. Carlos e do regime Monarquico, contribuindo para que o movimento republicano ganhasse ainda mais adeptos.

Inspirado pelo sentimento de ultraje que o país vivia na altura, o escritor Henrique Lopes criou um poema apelando ao povo para "lutar pela pátria" e louvando o passado de potência marítima do país.

Em articulação com tais palavras inspiradoras, o compositor Alfredo Keil juntou-lhe uma melodia e a canção rapidamente tornou-se popular entre os descontentes do regime, que consideravam humilhante e submissa a atitude das autoridades portuguesas.

A 31 de Janeiro de 1891, uma revolução republicana ocorreu no Porto e "A Portuguesa" foi adoptada pelos revoltosos como seu Hino.

A revolução foi aniquilada e "A Portuguesa" banida.

Em 5 de Outubro de 1910, uma nova revolução sucede e desta vez a Monarquia é derrubada, sendo estabelecida a Republica em Portugal. No ano seguinte, "A Portuguesa" é proclamada como o Hino da Republica Portuguesa.

LETRA

Estes são os versos completos do Poema de Henrique Lopes. Apenas as duas primeiras estrofes é que constam do hino.

Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente e imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Oh Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!

Ás armas, ás armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Ás armas, ás armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Desfralda a invicta Bandeira,
luz viva do teu coração
Brade a Europa inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Ás armas, ás armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Ás armas, ás armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe
Que nos guardam, nos sustém
Contra as injustiças da sorte.

Ás armas, ás armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Ás armas, ás armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

1 comentário:

Anónimo disse...

"Desfralda a invicta Bandeira"... nada mais actual :) Betty.blogs.sapo.pt