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segunda-feira, dezembro 31, 2012

Ano Novo, Vida Nova



Agora que 2012 está dando os seus ultimos suspiros, impõem-se fazer o balanço do que foram os trezentos e tal dias passados e pensar no que serão os seguintes.

No meio deste ambiente crise real, que nos faz ter saudade em que o português se queixava de barriga cheia, ficamos com a impressão que poucos vão sair a ganhar deste processo, ficando a maioria condenada à sobrevivência ou em alternativa ao desterro noutro país.

A primeira coisa que nos ocorre ao pensar nisto é procurar os culpados desta situação, a qual vai desembocar obrigatóriamente nos políticos. Sim, aqueles seres bem falantes que elegemos para nos representar e, muitas vezes, também para nos roubar (BPN, faça o favor de levantar a mão).

É certo que muitos não merecem essa fama, mas ultimamente parece que estamos entregues a uma série de  inaptos e vilões tirados dos filmes de James Bond, tendo estes abafado a boa vontade dos políticos que ainda lutam contra as forças do mal.

Mas para falar de tristezas já temos os 101 comentadores da comunicação social que nos regurgitam o que se passa na nuvem mediática.

Não, este texto não serve para falar de um certo Portugal que está desaparecendo, das empresas que nos faziam sentir orgulho em viver aqui e já não estão entre nós, dos programas que acabam na RTP, deixando atrás de si um vazio que nenhuma SIC ou TVI conseguirão preencher.

Nem de um possível desmantelamento de uma série de serviços do Estado (TAP, Lusa, RDP, RTP, etc) que contribuem para o orgulho nacional.

Também não é sobre as amarras cada vez mais ténues que nos prendem a este país, do sentimento que o país está a recuar anos, ao conflito de emoções que ocorre quando nele pensamos, nem sobre as qualidades e defeitos que temos como nação e exportamos quando daqui saímos, em resumo, da falta de perspectivas.

Não. Hoje é sobre pequenas notas que fui apontando ao longo do ano e que espero contribuam para a mudança de ciclo que o próximo trará.

Uma coisa boa que a idade  me deu foi a capacidade de fazer a minha vida sem depender de humores alheios. Já passei essa fase e ainda bem! de procurar a aprovação dos outros, f*** them!

Quando uma mulher diz "não", muitas vezes pode estar a dizer "talvez" ou "sim, mas pede de outra maneira". Já eles quando lhes respondem "sim", muitas vezes querem é apenas que elas se calem;


Os melhores momentos da vida? Os de convívio e partilha com quem nos é querido;


As crianças são como pequenos carregadores de bateria, pois vivendo ainda sem os filtros de adulto, enchem o outro de carinho e atenção, algo que os idosos carecem imenso;

A distância potencia a saudade e valoriza quem está ausente.

Esperemos que 2013 seja o início de um novo ciclo, agora que este se aproxima do fim.


Bom Ano Novo!



quinta-feira, outubro 18, 2012

Hara-kiri


Como de costume o Verão prolongou-se por Setembro e com ele as nuvens negras pendentes sobre Portugal pareciam esfumar-se com os ventos de mudança vindos do FMI, BCE e da União Europeia, a famosa Troika que por essa altura começou a aperceber-se que a austeridade em doses cavalares fazia o efeito contrário ao pretendido, levando-os a tornarem-se mais tolerantes quanto a prazos e políticas de crescimento.

E o que fez Pedro Passos Coelho (PPC)? Bem, o nosso PM em vez de aproveitar a onda de mudança e renegociar o empréstimo que a Troika nos fez, inventou o agravamento da TSU em 7%!

"Isto vai permitir o aumento da competitividade das nossas empresas!" - Disse PPC, convencido de que tinha reinventado a roda.

Só que esta ideia genial, por certo cantada por António Borges ao nosso PM, conseguiu a proeza de irritar por igual empresários e trabalhadores, cidadãos da esquerda à direita, em suma, virou 99% da população contra o aumento da TSU, levando a uma manifestação espontânea a 15 de Setembro onde cerca de um milhão de pessoas (10% da população!) manifestou o seu repúdio pela medida.

Aparentemente surpreendido por tal reacção negativa e com a coligação governamental em perigo (Paulo Portas não é parvo), PPC lá recuou a contragosto na medida do agravamento da TSU.

E o que fez saltar a tampa a tanta gente? Simples, anteviram o que vinha aí: Perda de poder de compra, quebra acentuada  nas vendas das empresas, mais desemprego, etc. Isto em troca de uma mão cheia de  nada...

Então e não haveria consequências positivas? Só se antevia uma, que seriam as empresas exportadoras terem uma redução marginal nos custos, mas isso também poderia ser obtido com uma redução da TSU só para elas (Desde que Berlim desse o seu aval, claro...), o que obrigaria a medidas menos gravosas para a financiar.

Mais grave ainda, o aumento da TSU passava ao lado do grande desígnio do país, que é pagar o empréstimo da Troika, ou seja, ao tirar parte da contribuição para a Segurança Social de um lado para sobrecarregar o outro, nominalmente esta medida teria efeitos nulos no combate ao défice e seria assim independente das medidas de taxação sobre o rendimento que agora estão na berlinda, aumentando ainda mais a quebra de rendimento para os trabalhadores (7% da TSU+4% do aumento de escalão de IRS+Sobretaxa...), a recessão e o aumento do défice.

Tudo isto contribuiu para a situação pantanosa em que nos encontramos, depois de anos a ouvir os nossos políticos dizerem que não éramos a Grécia (Faz lembrar quando os marroquinos dizem aos turistas: "Não somos fanáticos como na Argélia!"), onde os partidos do governo não se entendem, os da oposição não têm alternativas de jeito, as reformas económicas são uma miragem, os escândalos de corrupção nascem como cogumelos e a população oscila entre a resignação revoltada e a revolta resignada, só nos falta surgir uma Aurora Dourada para completar o quadro...  

 Não acreditam? Os gregos também eram tendencialmente de esquerda, também vieram de uma ditadura fascista e ainda por cima sofreram horrores nas mãos dos nazis...

...Agora têm um partido neonazi no Parlamento. Basta esta situação em Portugal prolongar-se mais um, dois anos e veremos o PNR a crescer, aliás, não é coincidência os cartazes desse partido estarem cada vez mais disseminados, nem me admiraria que adoptassem entretanto as tácticas da Aurora Dourada, como uma Sopa dos Pobres só para os nacionais e outras medidas populares entre as camadas mais desprotegidas da população.

Afinal a cartilha para obter apoio popular dos extremistas tanto é válida na Palestina como na Grécia ou em Portugal...Basta ter as condições certas e passá-la à prática.

sexta-feira, julho 27, 2012

O empréstimo da Troika explicado a Dummies



Imaginemos que um conhecido vosso tem um restaurante e vem ter convosco desesperado a pedir dinheiro, pois já mais ninguém lhe empresta.


Vocês até aceitam emprestar mas, sabendo que o restaurante não é bem gerido, naturalmente apresentam condições, afinal, vocês não são a Santa Casa da Misericórdia e gostavam de reaver esse dinheiro, de preferência com juros, certo?

No meio dessas condições, é natural que vocês façam algumas exigências de mudança na gestão do restaurante que, na vossa condição de outsider, iria ajudar a gerir melhor o restaurante e originar as tais receitas que lhe fariam pagar o empréstimo.

Agora imaginem que o vosso conhecido, que passarei a chamar de Senhor X, ao saber das condições do empréstimo, começa a disparatar dizendo que vocês querem mandar nele e que querem é roubá-lo...

O que é que vocês pensavam logo? Se calhar algo do tipo: "Chiça, que este além de pobre, é mal agradecido!", nascendo na vossa mente muitas dúvidas sobre se ainda queriam emprestar o vosso rico dinheiro a gente tão ingrata.

Estão a ver a analogia entre este caso e o empréstimo da Troika, não estão?


"E o que é que eu tenho a ver com isso?!?!? Não fui eu que pedi dinheiro ao estrangeiro! Eu até nem tenho dívidas...Se nunca as tive, porque é que agora tenho de levar com estas medidas todas de austeridade?!?!?" - Poderão estar agora a pensar alguns de vós.

Voltemos então ao Senhor X.

O Manecas tem 12 anos e é filho do Senhor X e também ele está a sofrer com os problemas do restaurante do pai, pois se antes recebia uma Playstation nova sempre que saía um modelo novo, agora que o restaurante só dá dores de cabeça, os pais do Manecas nem jogos novos lhe dão, quanto mais uma Playstation a estrear...

É injusto? É, até porque não foi ele que pôs o restaurante a perder dinheiro e, no entanto, também ele está a ver as suas expectativas goradas por algo em que ele não teve influência.

Mas o mundo seria bem mais injusto com o Manecas se tivesse nascido no Sudão ou na Etiópia onde ele estaria condenado logo à partida a uma existência bem mais difícil, onde pior do que chegar ao fim do dia e não ter uma Playstation é chegar ao fim do dia e não ter o que comer...É tudo uma questão de perspectiva.

"Então e agora? O que é que fazemos com o empréstimo da Troika?"


Agora temos as mesmas opções que o Senhor X, ou nos queixamos que as (poucas) entidades que estão dispostas a emprestar-nos dinheiro são más e fazemos birra à espera que a tempestade passe, ou então arregaçamos as mangas e vamos à luta, aceitando o dinheiro e respeitando as condições que nos foram impostas.

Se aceitarmos a segunda opção e as coisas correrem bem, melhor para todos, quem emprestou recebe de volta o seu dinheiro, de preferência com juros, quem recebeu fica livre do aperto em que andou e sem dívidas, tendo ainda a vantagem de agora ter uma economia (Ou um restaurante, no caso do Senhor X) rentável e com futuro.

Já se as coisas continuarem a correr mal, há que demonstrar ao(s) credores que mesmo cumprindo escrupulosamente as instruções dadas, o problema continua e que é necessário fazer mudanças para melhorar a situação.

E no meio do mau que é continuar a precisar do dinheiro de quem empresta, a partir do momento em que as medidas dos credores não mudam a situação, a posição do devedor acaba por ser menos desconfortável, pois se antes tinha de ouvir dos credores que "Só deves dinheiro porque não sabes governar-te", agora sempre pode responder: "Sim, que as vossas panaceias também ajudaram muito..."

Co-responsabilização - É essa a palavra mágica.


A partir deste momento, não só é do interesse do devedor sair do aperto, como o próprio credor entende que não vai ser tão fácil assim recuperar o dinheiro e torna-se mais tolerante no que toca a variáveis como prazos, valor da dívida...E isto se quiser recuperar o que já emprestou.

"Então e quanto à corja de aldrabões que nos pôs nesta posição? Não se faz nada?!?"


Bem, voltemos ao restaurante do Senhor X. Para sair do buraco em que se meteram e voltar a ganhar dinheiro, para além de melhorar a gestão do mesmo (comprar mais barato com a mesma qualidade, p/ ex.), é preciso também saber se houve desvios ocultos (vulgo roubos), como por exemplo saber se não havia ninguém a "desviar" garrafas de espumante reserva para beber em casa, se o homem da padaria não se fazia pagar de 100 e só entregava 80, se não haveria clientes a comer "à pala...", tudo isso são custos que obstam à recuperação do restaurante e que se impõem descobrir e, acima de tudo, acautelar para que de futuro não volte a acontecer.

"Então e é assim? Não se castiga quem já comeu estes anos todos à conta do Orçamento (de Estado)?"


Bem, se conseguirmos evitar no futuro estes desvios ocultos (vulgo roubos), já seria muito bom, pois isto aqui não é a Islândia e como sabemos o Bom é inimigo do Óptimo.

Donos de Portugal - O documentário que todos deveriam ver

Depois de descobrir neste documentário certas coisas sobre as grandes fortunas portuguesas, fiquei tão revoltado que decidi ressuscitar por momentos o 7M para divulgar este documentário, vejam e reflitam:

Donos de Portugal from Donos de Portugal on Vimeo.

Um abre-olhos onde se explica a razão da nossa economia ter chegado onde chegou. Devia ser exibido em horário nobre na RTP. Ou na SIC, ou TVI...

domingo, novembro 13, 2011

Reformas? Não, cortes.

Quando ia a Lisboa costumava ir de comboio, pois para além de ser mais cómodo, acabava por sair mais barato do que levar o carro para dentro da capital, pois o custo do bilhete de comboio e metro acabava por ser menor que o custo do combustível, portagem e o custo do parqueamento.

Agora com o aumento brutal dos transportes públicos, fiz as contas e passou a ser mais barato ir de carro para Lisboa.

Ou seja, o governo está a passar a mensagem errada: Em vez de encorajar a população a adotar hábitos saudáveis, ecológicos e económicos (Transportes Públicos), incentiva o abuso da viatura particular, uma das razões para o descalabro em que nos encontramos.

Se aumentasse o imposto dos combustíveis e mantivesse o preço dos transportes públicos, incentivando assim o desmame do vício português por aquelas coisas grandes de quatro rodas que congestionam as nossas estradas, aí sim faria uma reforma com vista a um futuro mais sustentável.

Este é apenas um exemplo que este governo está a fazer cortes na despesa e não as tais reformas tão apregoadas.

quarta-feira, outubro 05, 2011

Sinais dos Tempos: A Morangada



De alguns anos a esta parte, em especial desde que surgiram formatos televisivos amorangados, macacadas com vampiros de mochila às costas e rebeldias do acne que a televisão em Portugal (e parte do cinema por arrasto) se tornou numa espécie de viveiro de actores que apenas o são porque alguém os enganou enquanto espremiam as borbulhas uns aos outros num casting de manequins. Uma bandalheira generalizada. E perdeu-se espaço para o talento que marcou muitas e boas gerações de actores neste país.

A formação hoje em dia vem depois, quando o "actor" está farto de ser "actor" e decide ir estudar qualquer coisinha ligada à representação porque não pode fazer de adolescente toda a vida, normalmente escolhem o estrangeiro, vulgarmente Los Angeles porque " lá fora é que é bom". Para esta malta fazer um curso de representação nos EUA é como ir ali ao Pingo Doce comprar fruta da época, sabe bem. Resultado: em Portugal hoje em dia é comum uma pessoa sem qualquer formação ou aptidão especial para representar começar a fazê-lo, por variadíssimas razões, que vão da simples aparência ao facto de serem sobrinhos do não sei quantos ou, muito frequentemente, por não se importarem de dormir com metade da equipa de produção, som, imagem e ainda com o individuo que estaciona os carros à porta dos estúdios e vá -toma lá umas deixas que começas amanhã às 8 a ser uma vedeta.

Não querendo generalizar mas avaliando o estado geral de coisas (basta sintonizar as televisões portuguesas a algumas horas do dia e estar uns minutos atento - mas sem exageros não quero induzir o coma a ninguém) o vulgar jovem actor português de televisão é hoje uma espécie de batido de estupidez com natas e açúcar. E vale tudo. Do rapazola musculado modelo de roupa interior a fazer de galã mas com a expressividade de um pinheiro até à adolescente "boazona" mas que é necessário ter um tradutor de "troglodita" para português para se entender o que diz. Daí à passagem a apresentadores é apenas um passo, dois castings e três noitadas. Chamam-lhe produção nacional. Eu chamo-lhe disfunção cerebral. Completa estupidez de quem gere este sistema.

E nascem assim as novas "vedetas" deste país. Ganham tiques e começam a comportar-se como tal. O ridículo total. Alguns são detidos uns meses mais tarde por posse e venda de estupefacientes num qualquer bairro problematico dos arrabaldes. Outros consomem-nos ao volante de autenticas máquinas. A passadeira vermelha está estendida a tudo o que é grunho. A maioria destas pessoas é desprovida de talento, capacidade ou inteligência. Infelizmente neste país à beira mar plantado e mal regado quem se dedica de alma a esta nobre arte de entretenimento do público através da representação, quem opta e sonha ser actor e para isso estuda e treina aptidões e a vocação com que nasce (não é coisa que de adquira na Bershka), raramente tem uma verdadeira oportunidade de o demonstrar, pois tem os caminhos tapados por uma fila de morangos deslavados e salas cheias de vampiros de boné na cabeça e brinquinho na orelha. Uma tristeza saloia.

terça-feira, outubro 04, 2011

O (in)sucesso da sociedade ocidental (2/2)



Neste momento assiste-se a uma reação contra a tendência extremista dos conservadores e a lei dos mercados, esperemos que destas manifestações saia algo mais do que umas manifs inócuas, é preciso uma vontade de mudança que permita corrigir o caminho atual que nos leva para uma sociedade mais desigual e insegura, uma espécie de África do Sul global, mal comparado, claro.

E há muito para mudar:


1 - Educação: É preciso valorizar e devolver a autoridade aos professores, bem como promover a exigência e o trabalho junto dos alunos, mesmo que isso envolva o chumbo de muitos, é devido à tendência para "maquilhar" os números que se permite a passagem de alunos sem preparação, ao mesmo tempo que desmotiva os alunos que realmente querem estudar e ter boas notas.

Estamos num momento em que um físico atraente torna-se mais importante do que os neurónios, e quando isso acontece...Estamos mal.


2 - Desglobalização: O mercado global é algo que dificilmente pode ser revertido, até porque tal como as coisas estão interligadas (Leia-se: o poderio da China está espalhado pelo globo como erva daninha), será difícil mudar o que seja.

MAS, será importante que se faça algo para mudar o atual estado de coisas, pois por este andar a Europa e os EUA no futuro não serão mais que uma espécie de "Funpark" para os empresários e demais milionários da Nova Ordem Mundial.

Até porque potências comerciais como a China, Coreia e Japão vivem de exportações enquanto que os seus mercados internos continuam blindados por elevados impostos sobre as importações. Porque não fazer o mesmo aqui?


3 - Submeter o poder do capital ao poder político: Estes dois tiveram sempre uma convivência próxima, até porque um estava dependente do outro, havendo assim um equilíbrio entre as vontades dos dois.

O que sucede neste momento é que o poder capitalista e dos especuladores (cada vez mais sinónimos), deixou de estar dependente de países e dos seus representantes, agindo em "roda livre" de uma forma que nem Gordon Gekko alguma vez sonhou no filme Wall Street.

Assim, quais cavaleiros da desgraça, cavalgam na onda do lucro indiferentes aos estragos que fazem, pois sabem que o poder político está refém da sua vontade.


4 - Aprofundar a UE: Chegamos a um ponto em que os países pertencentes ao Euro têm de definir o que querem, ou se aprofunda a integração europeia, caminhando para uma espécie de Confederação à maneira da Suiça, ou então volta-se ao período anterior à moeda única, permitindo aos países menos competitivos como a Grécia, Portugal ou Espanha, poderem ter autonomia suficiente para desvalorizar a sua moeda e assim ganhar competitividade.

O que temos agora não satisfaz ninguém.


5 - Moralizar a Política: Talvez o ponto mais difícil de conseguir, mas sem este será quase impossível conseguir os restantes. Também resta saber se os eleitores estão disponíveis para castigar os políticos corruptos, tenho as minhas dúvidas...

domingo, outubro 02, 2011

O (in)sucesso da sociedade ocidental (1/2)



Vejo muita gente queixando-se dos tempos atuais, da insegurança, do desemprego, da quebra dos salários...De muita coisa junta.

Eu sou mais um a lamentar-se, mas isto só valerá a pena se pensarmos no caminho que nos trouxe aqui e para onde é que ele nos leva.

Este sentimento de insegurança é sintoma de que a sociedade ocidental em que nascemos está em declíneo e de que depois de décadas de progresso ininterrupto, chegamos ao pico da montanha.

"It's all downhill from here" - dizem os apocalíticos, vendo no calendário Maia ou noutros oráculos o fim do mundo.

Se é verdade que não é possível manter este nível de consumo por muitos mais anos, até porque os recursos do planeta são finitos e no futuro a sociedade ocidental terá de os dividir cada vez mais com os gigantes asiáticos, por outro lado não é obrigatório seguir neste caminho em que a classe média torna-se cada vez mais uma minoria, descendo a maioria para o patamar inferior, enquanto que as grandes empresas e seus gestores enchem-se de dinheiro.

"A culpa é dos conservadores e da extrema-direita que nos levaram para este buraco!"
- dizem os adversários do outro lado da barricada política.

Talvez, mas eles esquecem que os conservadores e os seus aliados extremistas ganharam as eleições de forma justa, portanto alguma coisa no programa deles fez com que estes tivessem o favor da população, certo?

Eis aqui dois motivos para essa viragem à direita:

1º - Quando os sociais democratas e demais esquerdistas se renderam ao poder do capital, as pessoas pensaram: "Para quê votar nestes (partidos de esquerda) se fazem exatamente o mesmo que os outros?!? Mal por mal ao menos os de direita não nos mentem nem se disfarçam de amigos dos mais desfavorecidos".

2º - A globalização foi vendida aos eleitores como tendo só vantagens, seguindo-se assim uma política de desregulação de mercados, eliminação de tarifas aduaneiras e uma maior abertura dos países à mão-de-obra estrangeira.

A que nos levou esta política? O capital deixou de ter nacionalidade, a maioria dos produtos de consumo passaram a ser produzidos em países com práticas que pouco têm a ver com os direitos dos trabalhadores nas sociedades ocidentais e as próprias sociedades viram chegar comunidades inteiras com hábitos diferentes e pouco interessadas em integraram-se no país que os acolheram.

Tudo isto sem que os políticos e partidos tradicionais reparassem no crescente descontentamento dos eleitores, inseguros com o crescente desemprego (fruto da transferência de empresas para países com custos mais baixos), a perda de direitos adquiridos, isto para além do mal estar criado contra os imigrantes que recusam a integração.

Perante estes problemas, quem é que deu voz a estes eleitores? Os nacionalistas e partidos de extrema-direita, que através de mensagens simplistas atraíram os descontentes com o "sistema" habitual.

Assim se explica parte do esvaziamento dos partidos do centro político nas sociedades desenvolvidas.

sexta-feira, setembro 16, 2011

Pega Ladrão! Tira do Poder, Bota na Prisão!!!



Este vídeo tem "cromos" brasileiros mas poderia estar cheio de portugueses, pois a m**** é a mesma, gente que se aproveita do poder político para se "encher" à custa do povo.

Já não bastava estarmos sob a alçada do FMI e ter de navegar nos mares revoltos da crise internacional das dívidas soberanas ligadas ao Euro, agora aparece esta ave rara...




...ENTERRAR O PAÍS!!!!!

Descobriu-se agora que Alberto João Jardim, também conhecido como o Rei da Madeira, esconde um buraco de 1100 milhões de Euros há ANOS!

Está-se mesmo a ver quem vai pagar (mais) esta trafulhice...

sábado, agosto 27, 2011

Os ricos e a crise




Depois de Warren Buffet ter pedido para deixarem de "mimar" os ricos e de uma dúzia de milionários franceses e alemães terem dito o mesmo (com outras palavras), está na ordem do dia a possibilidade dos mais ricos pagarem uma sobretaxa para aliviar o esforço de quem menos pode.

Esta atitude de "os ricos que paguem a crise" por si só não vai resolver nada, pois o dinheiro arrecadado com essa sobretaxa, embora sendo apreciável, será uma gota de água no oceano da dívida externa.

A meu ver seria mais sensato dar a seguinte escolha aos ditos milionários: entregar esse dinheiro diretamente ao Estado ou usar esse dinheiro para financiar projetos inovadores e empresas start-up, eliminando-se assim o principal problema de que quem tem ideias inovadoras: O financiamento, pois neste momento falta quem disponibilize capital a projetos de risco.

Esta medida, aliada à cedência de uma percentagem nos lucros das empresas assim criadas aos financiadores, poderia incentivar ao nascimento de novas empresas e à criação de emprego, originando também eventuais proveitos para os milionários, que de outra forma teriam visto esse dinheiro voar para os cofres do Estado.

domingo, junho 05, 2011

Prenuncios

Ontem , no dia de reflexão para as eleições que agora decorrem, duas notícias perturbaram-me:

- A carga policial sobre os Okupas no Rossio;

- José Eduardo Moniz de novo na televisão pública.

Não bastavam as medidas de austeridade da Troika, agora estes sinais mostram que os próximos tempos prometem ser de muita agitação.

1994 = 2011

(Até o Fernando Nogueira regressou à vida política!)

quinta-feira, maio 19, 2011

Para onde vais, Portugal?



Agora que a Troika definiu o "Castigo" que Portugal vai sofrer e ao mesmo tempo que as Legislativas se aproximam a passos largos, dei por mim a pensar...

...Não no que nos levou a esta situação, pois isso não só é de conhecimento comum (Os governantes dos últimos 25 anos), como olhar para o passado não nos levará a lado nenhum.

Importa agora é saber o que está a suceder neste momento e que o futuro próximo nos reserva.

Enquanto que a Alemanha se assume como polícia da Europa e demonstra tiques de arrogância e superioridade para com certos estados do Sul da Europa, aqui os nossos políticos parecem querer dar razão a quem nos chama de "Preguiçosos" e "Ingovernáveis", pois PS, PSD e CDS-PP parecem mais interessados em chegar ao Poder do que Governar por forma a tirar o país deste buraco. Isto enquanto a extrema esquerda (BE e CDU) limita-se a fazer o mesmo de sempre, ou seja, auto excluem-se de qualquer proposta construtiva, pois é-lhes mais fácil ficar de fora a criticar quem faz algo.

Conclusão: Como o mais certo é ninguém ter uma maioria clara depois das eleições, ninguém está a ver os três partidos entenderem-se para formar governo, o que quer dizer que vamos andar dias, semanas, ou até meses sem um governo para desespero da Troika e depois dos portugueses que mais cedo ou mais tarde irão sofrer (Ainda mais) com os desvarios da classe política.

O futuro vê-se em tons negros, com as palavras "Desemprego", "Recessão" e "Crise" na ordem do dia, sem que se vislumbre ninguém que queira verdadeiramente mudar o estado das coisas.

quarta-feira, abril 27, 2011

Para onde vais, Europa?




Agora que a extrema-direita se torna numa força a ter em conta em mais um país europeu (Finlândia), questionei-me porque é que esta onda de extremismo populista e xenófoba alastra pela Europa como se fosse uma epidemia, contaminando até povos amantes da liberdade como os holandeses ou franceses.

A resposta poderá estar na falência ideológica e na falta de capacidade de resposta dos partidos políticos mais ao centro e pertencentes ao chamado "Arco do Poder".

Depois décadas de prosperidade, a generalidade dos países europeus vê-se num ponto em que as velhas fórmulas económicas já não conseguem fazer nada face à globalização (1) e onde o futuro se mostra cada dia menos risonho.

Ao contrário de outras alturas de crise, a classe política europeia deixa muito a desejar, parecendo demasiado permeáveis a sondagens e lobbies mais ou menos obscuros, isto quando não se tem o azar de ter um Primeiro-Ministro anedótico como Berlusconi, não é?

Perante este cenário de fraqueza dos partidos mais ao centro, as pessoas tendem em votar nos líderes que não associam ao poder e são contestatários, subindo assim a popularidade dos partidos mais extremistas, especialmente os de direita, pois os de esquerda vivem ainda colados a teorias demasiado utópicas e desajustadas da realidade para seduzir os desencantados.

Assim, muitos votam na extrema-direita mais como se fosse um voto de protesto contra a "velha política" dos governantes e não por concordar (na totalidade pelo menos) com o que estes partidos advogam.

E eis-nos chegados a este ponto, onde um pouco por toda a Europa, desde a França, passando pela Holanda, Bélgica, Hungria até a Finlândia florescem partidos nacionalistas e radicais, pondo em causa o projeto europeu.

Chegou o momento da verdade da UE. Ou conseguimos passar esta fase má com maior integração (Não só económica mas também social e cultural), ou então a União Europeia tal como a conhecemos terá os dias contados, resistindo o esqueleto (Alemanha e países satélites), deixando os restantes países entregues a si próprios.

(1) - Globalização: Teoria que torna menos pobre a maior parte da população dos países menos menos desenvolvidos, ao mesmo tempo que enriquece uma percentagem ínfima da população desses países e empobrece a classe média nos países desenvolvidos.

domingo, abril 10, 2011

FMI - O Fim?

Agora que gozamos os últimos dias de liberdade antes de nos tornarmos em mais um protetorado alemão da UE, pus-me a pensar como é que chegamos a este ponto. A resposta mais fácil e conveniente seria atribuir a culpa toda aos políticos, pois esse é o bode expiatório mais comum mas, não deixando de ser em parte verdade,em rigor eles só estão lá porque foram eleitos.... A "chatice" que as democracias têm é essa, não podemos apenas sacudir a responsabilidade para os governantes e assim lamentar o nosso destino no papel de vítimas inocentes, longe vão os tempos em que os monarcas portugueses "enterravam" o ouro do Brasil na construção de palácios e catedrais, ao mesmo tempo que outros iniciavam aquilo que se chamaria de Revolução Industrial... Nós enquanto povo tivemos a responsabilidade de eleger e perpetuar no poder quem enterrou o "ouro" que nos foi oferecido pela Europa para construir Auto-Estradas, Estádios de futebol e outras obras públicas que no futuro serão tão inúteis como foram no passado os referidos palácios e catedrais. Pode até dizer-se que Portugal dá-se mal com períodos de abundância, pois basicamente não sabe o que fazer com o dinheiro, lembra aqueles que por sorte lhes sai a lotaria e depois de um período de festa e esbanjamento sem acautelar o futuro, acabam ainda pior do que estavam antes do prémio. Depois de Portugal entrar no Euro, entrou-se numa onda de consumismo brutal, dando a ilusão que de repente éramos todos franceses ou alemães...Muita gente se endividou na compra de casa, modelos da BMW, Audi e Mercedes passaram a estar entre os carros mais vendidos e os padrões de consumo/esbanjamento não pareciam ter limite, bastava ver os Shopping's nascendo como cogumelos na paisagem. Já com a crise declarada e endividados até ao tutano, os tugas continuaram embriagados pelo dinheiro fácil e a gastar como se não houvesse amanhã... Um dia isto teria de acabar. Agora com a vinda do FEEF/FMI, sente-se que as pessoas estão a acordar para a ressaca dos excessos cometidos, deparando-se com o fim do dinheiro fácil e o início de uma nova era. Há dias, um colega de trabalho queixava-se que o final do mês nunca mais chegava e que teria de ter cuidado nos seus gastos com alimentação até receber novo salário. Sabendo que o salário dele até era bem razoável, inquiri-o: "Então para onde foi o dinheiro?" E ele respondeu-me: "São as prestações da casa, do carro, as mensalidades da TV cabo, ginásio, etc." Depois de esmiuçar esse "etc.", ficaram evidentes onde estava o esbanjamento, uma noitada no Casino que ficou na módica quantia de 150 €, a prestação (75€) do empréstimo que fez para as férias no México, a compra de um jogo novo (50€) para a Nintendo... Só aqui foram 225 € gastos em coisas acessórias, o que juntando a todas as outras despesas (e não são poucas...) deixa pouca margem para aquilo que deveria vir em segundo lugar, a Alimentação (Em primeiro, claro está, está a Saúde). Com cada fim há sempre um início, assim pode ser que este tratamento de choque nos faça retomar alguns bons hábitos que tínhamos antes da entrada na CEE, isto desde que o garrote não nos asfixie e já agora...Que a moda dos bigodes fique bem enterrada nos anos 70/80 ou nas novelas da TVI!

domingo, novembro 28, 2010

O mundo em 2020

Os últimos desenvolvimentos em Portugal e na Europa deram-me vontade de reler um livro editado em 2000 em que o autor tentava prever como seria o mundo 20 anos depois.

Em 2006 até dediquei uns textos no 7M a esse livro, pois é um livro que guardo com interesse, pois será curioso lê-lo em 2020 e verificar quais foram as previsões acertadas e se estaremos melhor ou pior do que o autor previa.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Letter to L

Extracto de um e-mail onde respondia à pergunta "O que é feito de ti?" feita por uma antiga colega de secundário, agora locutora de rádio, da qual tinha perdido o contacto há 13 anos...

"Era bom poder dizer-te que estou escrevendo de uma praia paradisíaca no Pacífico Sul enquanto vejo os meus milhões multiplicarem-se na Bolsa mas...Não é o caso.

Também não mudei o meu nome para Paulo Teixeira Pinto e portanto não cheguei à presidência de um Banco onde só fiz asneira para depois ser agraciado com uma indemnização choruda e uma reforma digna de um Eurodeputado...Não, nada disso."

"...o Luxemburgo é a coisa mais parecida ao nosso país se este fosse desenvolvido. O churrasco e as francesinhas luxemburguesas são de comer e chorar por mais!"

" ...era altura de ganhar juízo (os 30's não perdoam...) e conformar-me a uma vida burguesa de remediado."

"Bem, mudemos de tom para algo menos meloso se não ainda me contratam para locutor da RFM, continuas a pesar 45 kgs e a comer por dois?"

sexta-feira, outubro 10, 2008

Fim do mundo (em cuecas)

Hoje de manhã  liguei o rádio e as primeiras palavras que os meus ouvidos descodificaram foram:

"...pânico nas bolsas, a Bolsa de Tóquio teve a maior queda dos últimos 21 anos e a Bolsa de Lisboa abriu em forte queda..."

É o fim do mundo em cuecas! - pensei para os meus botões.

E se sim, será parecido com o que a figura representa?