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quinta-feira, outubro 18, 2012
Hara-kiri
Como de costume o Verão prolongou-se por Setembro e com ele as nuvens negras pendentes sobre Portugal pareciam esfumar-se com os ventos de mudança vindos do FMI, BCE e da União Europeia, a famosa Troika que por essa altura começou a aperceber-se que a austeridade em doses cavalares fazia o efeito contrário ao pretendido, levando-os a tornarem-se mais tolerantes quanto a prazos e políticas de crescimento.
E o que fez Pedro Passos Coelho (PPC)? Bem, o nosso PM em vez de aproveitar a onda de mudança e renegociar o empréstimo que a Troika nos fez, inventou o agravamento da TSU em 7%!
"Isto vai permitir o aumento da competitividade das nossas empresas!" - Disse PPC, convencido de que tinha reinventado a roda.
Só que esta ideia genial, por certo cantada por António Borges ao nosso PM, conseguiu a proeza de irritar por igual empresários e trabalhadores, cidadãos da esquerda à direita, em suma, virou 99% da população contra o aumento da TSU, levando a uma manifestação espontânea a 15 de Setembro onde cerca de um milhão de pessoas (10% da população!) manifestou o seu repúdio pela medida.
Aparentemente surpreendido por tal reacção negativa e com a coligação governamental em perigo (Paulo Portas não é parvo), PPC lá recuou a contragosto na medida do agravamento da TSU.
E o que fez saltar a tampa a tanta gente? Simples, anteviram o que vinha aí: Perda de poder de compra, quebra acentuada nas vendas das empresas, mais desemprego, etc. Isto em troca de uma mão cheia de nada...
Então e não haveria consequências positivas? Só se antevia uma, que seriam as empresas exportadoras terem uma redução marginal nos custos, mas isso também poderia ser obtido com uma redução da TSU só para elas (Desde que Berlim desse o seu aval, claro...), o que obrigaria a medidas menos gravosas para a financiar.
Mais grave ainda, o aumento da TSU passava ao lado do grande desígnio do país, que é pagar o empréstimo da Troika, ou seja, ao tirar parte da contribuição para a Segurança Social de um lado para sobrecarregar o outro, nominalmente esta medida teria efeitos nulos no combate ao défice e seria assim independente das medidas de taxação sobre o rendimento que agora estão na berlinda, aumentando ainda mais a quebra de rendimento para os trabalhadores (7% da TSU+4% do aumento de escalão de IRS+Sobretaxa...), a recessão e o aumento do défice.
Tudo isto contribuiu para a situação pantanosa em que nos encontramos, depois de anos a ouvir os nossos políticos dizerem que não éramos a Grécia (Faz lembrar quando os marroquinos dizem aos turistas: "Não somos fanáticos como na Argélia!"), onde os partidos do governo não se entendem, os da oposição não têm alternativas de jeito, as reformas económicas são uma miragem, os escândalos de corrupção nascem como cogumelos e a população oscila entre a resignação revoltada e a revolta resignada, só nos falta surgir uma Aurora Dourada para completar o quadro...
Não acreditam? Os gregos também eram tendencialmente de esquerda, também vieram de uma ditadura fascista e ainda por cima sofreram horrores nas mãos dos nazis...
...Agora têm um partido neonazi no Parlamento. Basta esta situação em Portugal prolongar-se mais um, dois anos e veremos o PNR a crescer, aliás, não é coincidência os cartazes desse partido estarem cada vez mais disseminados, nem me admiraria que adoptassem entretanto as tácticas da Aurora Dourada, como uma Sopa dos Pobres só para os nacionais e outras medidas populares entre as camadas mais desprotegidas da população.
Afinal a cartilha para obter apoio popular dos extremistas tanto é válida na Palestina como na Grécia ou em Portugal...Basta ter as condições certas e passá-la à prática.
sexta-feira, setembro 21, 2012
Filosofia barata
Se um Ignorante comprar um BMW, passa a ser um Ignorante com um BMW.
Agora se esse Ignorante decidir usar o dinheiro do BMW para ganhar Conhecimento e Cultura, então ele passa a ser "Alguém que até sabe umas coisas".
E o que fizeram os nossos governantes nos últimos 20 anos? Investiram em Auto-Estradas, Estádios e outras megalomanias, esquecendo que isso por si só não garante desenvolvimento.
Tal como o Ignorante com o BMW, o país continuou o mesmo, mas agora com o fardo de ter de pagar o que comprou...
Agora se esse Ignorante decidir usar o dinheiro do BMW para ganhar Conhecimento e Cultura, então ele passa a ser "Alguém que até sabe umas coisas".
E o que fizeram os nossos governantes nos últimos 20 anos? Investiram em Auto-Estradas, Estádios e outras megalomanias, esquecendo que isso por si só não garante desenvolvimento.
Tal como o Ignorante com o BMW, o país continuou o mesmo, mas agora com o fardo de ter de pagar o que comprou...
sexta-feira, julho 27, 2012
O empréstimo da Troika explicado a Dummies

Imaginemos que um conhecido vosso tem um restaurante e vem ter convosco desesperado a pedir dinheiro, pois já mais ninguém lhe empresta.
Vocês até aceitam emprestar mas, sabendo que o restaurante não é bem gerido, naturalmente apresentam condições, afinal, vocês não são a Santa Casa da Misericórdia e gostavam de reaver esse dinheiro, de preferência com juros, certo?
No meio dessas condições, é natural que vocês façam algumas exigências de mudança na gestão do restaurante que, na vossa condição de outsider, iria ajudar a gerir melhor o restaurante e originar as tais receitas que lhe fariam pagar o empréstimo.
Agora imaginem que o vosso conhecido, que passarei a chamar de Senhor X, ao saber das condições do empréstimo, começa a disparatar dizendo que vocês querem mandar nele e que querem é roubá-lo...
O que é que vocês pensavam logo? Se calhar algo do tipo: "Chiça, que este além de pobre, é mal agradecido!", nascendo na vossa mente muitas dúvidas sobre se ainda queriam emprestar o vosso rico dinheiro a gente tão ingrata.
Estão a ver a analogia entre este caso e o empréstimo da Troika, não estão?
"E o que é que eu tenho a ver com isso?!?!? Não fui eu que pedi dinheiro ao estrangeiro! Eu até nem tenho dívidas...Se nunca as tive, porque é que agora tenho de levar com estas medidas todas de austeridade?!?!?" - Poderão estar agora a pensar alguns de vós.
Voltemos então ao Senhor X.
O Manecas tem 12 anos e é filho do Senhor X e também ele está a sofrer com os problemas do restaurante do pai, pois se antes recebia uma Playstation nova sempre que saía um modelo novo, agora que o restaurante só dá dores de cabeça, os pais do Manecas nem jogos novos lhe dão, quanto mais uma Playstation a estrear...
É injusto? É, até porque não foi ele que pôs o restaurante a perder dinheiro e, no entanto, também ele está a ver as suas expectativas goradas por algo em que ele não teve influência.
Mas o mundo seria bem mais injusto com o Manecas se tivesse nascido no Sudão ou na Etiópia onde ele estaria condenado logo à partida a uma existência bem mais difícil, onde pior do que chegar ao fim do dia e não ter uma Playstation é chegar ao fim do dia e não ter o que comer...É tudo uma questão de perspectiva.
"Então e agora? O que é que fazemos com o empréstimo da Troika?"
Agora temos as mesmas opções que o Senhor X, ou nos queixamos que as (poucas) entidades que estão dispostas a emprestar-nos dinheiro são más e fazemos birra à espera que a tempestade passe, ou então arregaçamos as mangas e vamos à luta, aceitando o dinheiro e respeitando as condições que nos foram impostas.
Se aceitarmos a segunda opção e as coisas correrem bem, melhor para todos, quem emprestou recebe de volta o seu dinheiro, de preferência com juros, quem recebeu fica livre do aperto em que andou e sem dívidas, tendo ainda a vantagem de agora ter uma economia (Ou um restaurante, no caso do Senhor X) rentável e com futuro.
Já se as coisas continuarem a correr mal, há que demonstrar ao(s) credores que mesmo cumprindo escrupulosamente as instruções dadas, o problema continua e que é necessário fazer mudanças para melhorar a situação.
E no meio do mau que é continuar a precisar do dinheiro de quem empresta, a partir do momento em que as medidas dos credores não mudam a situação, a posição do devedor acaba por ser menos desconfortável, pois se antes tinha de ouvir dos credores que "Só deves dinheiro porque não sabes governar-te", agora sempre pode responder: "Sim, que as vossas panaceias também ajudaram muito..."
Co-responsabilização - É essa a palavra mágica.
A partir deste momento, não só é do interesse do devedor sair do aperto, como o próprio credor entende que não vai ser tão fácil assim recuperar o dinheiro e torna-se mais tolerante no que toca a variáveis como prazos, valor da dívida...E isto se quiser recuperar o que já emprestou.
"Então e quanto à corja de aldrabões que nos pôs nesta posição? Não se faz nada?!?"
Bem, voltemos ao restaurante do Senhor X. Para sair do buraco em que se meteram e voltar a ganhar dinheiro, para além de melhorar a gestão do mesmo (comprar mais barato com a mesma qualidade, p/ ex.), é preciso também saber se houve desvios ocultos (vulgo roubos), como por exemplo saber se não havia ninguém a "desviar" garrafas de espumante reserva para beber em casa, se o homem da padaria não se fazia pagar de 100 e só entregava 80, se não haveria clientes a comer "à pala...", tudo isso são custos que obstam à recuperação do restaurante e que se impõem descobrir e, acima de tudo, acautelar para que de futuro não volte a acontecer.
"Então e é assim? Não se castiga quem já comeu estes anos todos à conta do Orçamento (de Estado)?"
Bem, se conseguirmos evitar no futuro estes desvios ocultos (vulgo roubos), já seria muito bom, pois isto aqui não é a Islândia e como sabemos o Bom é inimigo do Óptimo.
Donos de Portugal - O documentário que todos deveriam ver
Depois de descobrir neste documentário certas coisas sobre as grandes fortunas portuguesas, fiquei tão revoltado que decidi ressuscitar por momentos o 7M para divulgar este documentário, vejam e reflitam:
Donos de Portugal from Donos de Portugal on Vimeo.
Um abre-olhos onde se explica a razão da nossa economia ter chegado onde chegou. Devia ser exibido em horário nobre na RTP. Ou na SIC, ou TVI...domingo, novembro 13, 2011
Reformas? Não, cortes.
Quando ia a Lisboa costumava ir de comboio, pois para além de ser mais cómodo, acabava por sair mais barato do que levar o carro para dentro da capital, pois o custo do bilhete de comboio e metro acabava por ser menor que o custo do combustível, portagem e o custo do parqueamento.
Agora com o aumento brutal dos transportes públicos, fiz as contas e passou a ser mais barato ir de carro para Lisboa.
Ou seja, o governo está a passar a mensagem errada: Em vez de encorajar a população a adotar hábitos saudáveis, ecológicos e económicos (Transportes Públicos), incentiva o abuso da viatura particular, uma das razões para o descalabro em que nos encontramos.
Se aumentasse o imposto dos combustíveis e mantivesse o preço dos transportes públicos, incentivando assim o desmame do vício português por aquelas coisas grandes de quatro rodas que congestionam as nossas estradas, aí sim faria uma reforma com vista a um futuro mais sustentável.
Este é apenas um exemplo que este governo está a fazer cortes na despesa e não as tais reformas tão apregoadas.
Agora com o aumento brutal dos transportes públicos, fiz as contas e passou a ser mais barato ir de carro para Lisboa.
Ou seja, o governo está a passar a mensagem errada: Em vez de encorajar a população a adotar hábitos saudáveis, ecológicos e económicos (Transportes Públicos), incentiva o abuso da viatura particular, uma das razões para o descalabro em que nos encontramos.
Se aumentasse o imposto dos combustíveis e mantivesse o preço dos transportes públicos, incentivando assim o desmame do vício português por aquelas coisas grandes de quatro rodas que congestionam as nossas estradas, aí sim faria uma reforma com vista a um futuro mais sustentável.
Este é apenas um exemplo que este governo está a fazer cortes na despesa e não as tais reformas tão apregoadas.
terça-feira, outubro 04, 2011
O (in)sucesso da sociedade ocidental (2/2)
Neste momento assiste-se a uma reação contra a tendência extremista dos conservadores e a lei dos mercados, esperemos que destas manifestações saia algo mais do que umas manifs inócuas, é preciso uma vontade de mudança que permita corrigir o caminho atual que nos leva para uma sociedade mais desigual e insegura, uma espécie de África do Sul global, mal comparado, claro.
E há muito para mudar:
1 - Educação: É preciso valorizar e devolver a autoridade aos professores, bem como promover a exigência e o trabalho junto dos alunos, mesmo que isso envolva o chumbo de muitos, é devido à tendência para "maquilhar" os números que se permite a passagem de alunos sem preparação, ao mesmo tempo que desmotiva os alunos que realmente querem estudar e ter boas notas.
Estamos num momento em que um físico atraente torna-se mais importante do que os neurónios, e quando isso acontece...Estamos mal.
2 - Desglobalização: O mercado global é algo que dificilmente pode ser revertido, até porque tal como as coisas estão interligadas (Leia-se: o poderio da China está espalhado pelo globo como erva daninha), será difícil mudar o que seja.
MAS, será importante que se faça algo para mudar o atual estado de coisas, pois por este andar a Europa e os EUA no futuro não serão mais que uma espécie de "Funpark" para os empresários e demais milionários da Nova Ordem Mundial.
Até porque potências comerciais como a China, Coreia e Japão vivem de exportações enquanto que os seus mercados internos continuam blindados por elevados impostos sobre as importações. Porque não fazer o mesmo aqui?
3 - Submeter o poder do capital ao poder político: Estes dois tiveram sempre uma convivência próxima, até porque um estava dependente do outro, havendo assim um equilíbrio entre as vontades dos dois.
O que sucede neste momento é que o poder capitalista e dos especuladores (cada vez mais sinónimos), deixou de estar dependente de países e dos seus representantes, agindo em "roda livre" de uma forma que nem Gordon Gekko alguma vez sonhou no filme Wall Street.
Assim, quais cavaleiros da desgraça, cavalgam na onda do lucro indiferentes aos estragos que fazem, pois sabem que o poder político está refém da sua vontade.
4 - Aprofundar a UE: Chegamos a um ponto em que os países pertencentes ao Euro têm de definir o que querem, ou se aprofunda a integração europeia, caminhando para uma espécie de Confederação à maneira da Suiça, ou então volta-se ao período anterior à moeda única, permitindo aos países menos competitivos como a Grécia, Portugal ou Espanha, poderem ter autonomia suficiente para desvalorizar a sua moeda e assim ganhar competitividade.
O que temos agora não satisfaz ninguém.
5 - Moralizar a Política: Talvez o ponto mais difícil de conseguir, mas sem este será quase impossível conseguir os restantes. Também resta saber se os eleitores estão disponíveis para castigar os políticos corruptos, tenho as minhas dúvidas...
domingo, outubro 02, 2011
O (in)sucesso da sociedade ocidental (1/2)
Vejo muita gente queixando-se dos tempos atuais, da insegurança, do desemprego, da quebra dos salários...De muita coisa junta.
Eu sou mais um a lamentar-se, mas isto só valerá a pena se pensarmos no caminho que nos trouxe aqui e para onde é que ele nos leva.
Este sentimento de insegurança é sintoma de que a sociedade ocidental em que nascemos está em declíneo e de que depois de décadas de progresso ininterrupto, chegamos ao pico da montanha.
"It's all downhill from here" - dizem os apocalíticos, vendo no calendário Maia ou noutros oráculos o fim do mundo.
Se é verdade que não é possível manter este nível de consumo por muitos mais anos, até porque os recursos do planeta são finitos e no futuro a sociedade ocidental terá de os dividir cada vez mais com os gigantes asiáticos, por outro lado não é obrigatório seguir neste caminho em que a classe média torna-se cada vez mais uma minoria, descendo a maioria para o patamar inferior, enquanto que as grandes empresas e seus gestores enchem-se de dinheiro.
"A culpa é dos conservadores e da extrema-direita que nos levaram para este buraco!"
- dizem os adversários do outro lado da barricada política.
Talvez, mas eles esquecem que os conservadores e os seus aliados extremistas ganharam as eleições de forma justa, portanto alguma coisa no programa deles fez com que estes tivessem o favor da população, certo?
Eis aqui dois motivos para essa viragem à direita:
1º - Quando os sociais democratas e demais esquerdistas se renderam ao poder do capital, as pessoas pensaram: "Para quê votar nestes (partidos de esquerda) se fazem exatamente o mesmo que os outros?!? Mal por mal ao menos os de direita não nos mentem nem se disfarçam de amigos dos mais desfavorecidos".
2º - A globalização foi vendida aos eleitores como tendo só vantagens, seguindo-se assim uma política de desregulação de mercados, eliminação de tarifas aduaneiras e uma maior abertura dos países à mão-de-obra estrangeira.
A que nos levou esta política? O capital deixou de ter nacionalidade, a maioria dos produtos de consumo passaram a ser produzidos em países com práticas que pouco têm a ver com os direitos dos trabalhadores nas sociedades ocidentais e as próprias sociedades viram chegar comunidades inteiras com hábitos diferentes e pouco interessadas em integraram-se no país que os acolheram.
Tudo isto sem que os políticos e partidos tradicionais reparassem no crescente descontentamento dos eleitores, inseguros com o crescente desemprego (fruto da transferência de empresas para países com custos mais baixos), a perda de direitos adquiridos, isto para além do mal estar criado contra os imigrantes que recusam a integração.
Perante estes problemas, quem é que deu voz a estes eleitores? Os nacionalistas e partidos de extrema-direita, que através de mensagens simplistas atraíram os descontentes com o "sistema" habitual.
Assim se explica parte do esvaziamento dos partidos do centro político nas sociedades desenvolvidas.
sexta-feira, setembro 16, 2011
Pega Ladrão! Tira do Poder, Bota na Prisão!!!
Este vídeo tem "cromos" brasileiros mas poderia estar cheio de portugueses, pois a m**** é a mesma, gente que se aproveita do poder político para se "encher" à custa do povo.
Já não bastava estarmos sob a alçada do FMI e ter de navegar nos mares revoltos da crise internacional das dívidas soberanas ligadas ao Euro, agora aparece esta ave rara...
...ENTERRAR O PAÍS!!!!!
Descobriu-se agora que Alberto João Jardim, também conhecido como o Rei da Madeira, esconde um buraco de 1100 milhões de Euros há ANOS!
Está-se mesmo a ver quem vai pagar (mais) esta trafulhice...
sábado, agosto 27, 2011
Os ricos e a crise
Depois de Warren Buffet ter pedido para deixarem de "mimar" os ricos e de uma dúzia de milionários franceses e alemães terem dito o mesmo (com outras palavras), está na ordem do dia a possibilidade dos mais ricos pagarem uma sobretaxa para aliviar o esforço de quem menos pode.
Esta atitude de "os ricos que paguem a crise" por si só não vai resolver nada, pois o dinheiro arrecadado com essa sobretaxa, embora sendo apreciável, será uma gota de água no oceano da dívida externa.
A meu ver seria mais sensato dar a seguinte escolha aos ditos milionários: entregar esse dinheiro diretamente ao Estado ou usar esse dinheiro para financiar projetos inovadores e empresas start-up, eliminando-se assim o principal problema de que quem tem ideias inovadoras: O financiamento, pois neste momento falta quem disponibilize capital a projetos de risco.
Esta medida, aliada à cedência de uma percentagem nos lucros das empresas assim criadas aos financiadores, poderia incentivar ao nascimento de novas empresas e à criação de emprego, originando também eventuais proveitos para os milionários, que de outra forma teriam visto esse dinheiro voar para os cofres do Estado.
segunda-feira, junho 20, 2011
A bonança antes da tempestade
O Euro prestes a estatelar-se (Zona euro falha acordo sobre ajuda de curto prazo à Grécia) e nós a discutirmos ninharias (PSD insiste na eleição de Nobre para presidente da AR).
sábado, junho 18, 2011
O novo Governo
Pedro Passos Coelho - 1º Ministro
"Estou bem? Estou? E a minha voz? Está boa? Acima de tudo é preciso seriedade...Isso e cantar o hino todos os dias para motivar os portugueses."
Paulo Portas - Ministro dos Negócios Estrangeiros
"Portuguesas, Portugueses. O assunto é sério, a situação é séria, mas prometo-vos que com muito trabalho e sacrifício da vossa parte e também a minha mão direita iremos pagar os subm...a dívida ao FMI!"
Vítor Gaspar - Ministro das Finanças
"Olá portugueses! Sabem quem eu sou? Não? Pois isso agora também não interessa para nada, os senhores da União Europeia sabem que sou um bom aluno e afinal isto das Finanças também não deve ser difícil, afinal sou campeão do Monopoly...Não deve ser assim tão difícil, pois não?"
Miguel Relvas - Ministro dos Assuntos Parlamentares
A Picareta Falante
Miguel Macedo - Ministro da Administração Interna
O Lunático. Diz-se que é fã incondicional da série "Dexter", tendo uma divisão secreta de sua casa com vários artigos relativos a esse programa de televisão. Desde que foi nomeado ministro tem sido medicado por forma a parecer normal e não assustar as criancinhas.
Paula Teixeira da Cruz - Ministra da Justiça
A Peixeira Teixeira. Mulher de pavio curto, puxa facilmente do chicote para aviar tudo o que lhe aparece pela frente. Desejamos-lhe boa sorte quando enfrentar juízes e demais sangues...elementos da Justiça.
José Pedro Aguiar-Branco - Ministro da Defesa Nacional
Esta personagem, que parece saída de um romance de Camilo Castelo Branco, será uma espécie de "Vice-Rei do Norte" nesta equipa, onde é dos poucos a distinguir Valongo de Válega ou saber o significado da expressão "Justiça de Fafe".
Assunção Cristas - Ministra da Agricultura, Ambiente e Ordenamento do Território
"I'm a Barbie Girl / In a Barbie World..." - Esquecendo o (bom) físico da senhora e a tendência para falar muito sem dizer nada (Diz-se que aprendeu com Jorge Sampaio), será curioso ver como se irá comportar na próxima Ovibeja ou na Feira da Agricultura de Santarém...A ver vamos.
Pedro Mota Soares - Ministro da Solidariedade e Segurança Social
"Vão dar-me o quê? Solidariedade e Segurança Social? Pronto, lá vou ter que levar com os ciganos e os arrumadores!...Bem, antes esses que os Juízes...Ou pior ainda, os Professores!"
Álvaro Santos Pereira - Ministro da Economia e Emprego
Vem de uma cidade onde nada acontece (Vancouver) para um país onde nada se faz (Portugal). Não deve custar a adaptar-se ao lugar...Basta imitar George Clooney em Up in the Air.
Nuno Crato - Ministro da Educação, Ensino Superior e Ciência
Dizem que é o Anti-Cristo de Mário Nogueira, o Skeletor da FENPROF, ora depois destes óptimos cartões de visita, convém dizer que o homem é um Matemático. Português. Reconhecido internacionalmente. Está-se mesmo a ver que é uma anormalidade, resta saber o que vai sair dali...
Paulo Macedo - Ministro da Saúde
O Mourinho deste Governo. Colocou a máquina fiscal a funcionar ao mesmo tempo que ganhava um balúrdio e mesmo assim deixou saudades quando de lá saíu por vontade própria. Agora foi chamado para fazer o mesmo na Saúde, esperando o nosso Primeiro que o faça rapidamente para assim o colocar noutro ministério. Ou como disse Passos Coelho para os seu botões: "Bom, bom, era ter no Governo 11 Paulos Macedos mais um (ele próprio, Passos Coelho)."
segunda-feira, junho 06, 2011
A Ressaca Eleitoral - Parte XIV
O dia acordou cinzento, ditando assim o tom dominante para os meses que se avizinham, da noite passada ficou o seguinte:
BE - O que vão fazer com esta derrota? Fazer como as avestruzes ou refletir nas razões para este resultado? É que já não basta ser o irmão mais novo e desempoeirado do PC...
CDU - Fica provado que o PC é como uma religião: "Uma vez comuna, sempre comuna!". E como uma religião, tem que se olhar para o que se teoriza e não para o que se faz...
CDS-PP: Mais uma vez, cresceu. E algo me diz que não ficam por aqui.
PS - A derrota esperada. Penso até que o PS teria mais votação com o Tino de Rans ou o Zé Cabra à frente daquilo.
PSD - Mesmo com mais de 70% do país sem poder ver o Socas pela frente foi possível a maioria absoluta. Ou sequer igualar a votação de Durão Barroso...Para refletir.
Mas porque nem tudo é mau, aqui vai uma entrevita do Augusto Mateus ao Público onde ele refere os principais desafios de Portugal para os próximos anos.
domingo, junho 05, 2011
Notas da noite eleitoral
1 - Sempre disse que Sócrates, o agora ex-PM, lembrava-me um daqueles vendedores manhosos de automóveis em segunda mão.
Ironia das ironias, não é que ele foi depositar o seu voto num stand de automóveis???
Adeus Socras, até nunca!
2 - Nunca pensei dizer isto, mas...Depois de ouvir os discursos dos líderes nesta noite, o único em quem deposito alguma esperança é...
PAULO PORTAS!
Apesar do Partido Popular não ter nada a ver comigo, tendo até em certos aspetos ideais opostos aos que professo, tenho de reconhecer que foi o único a lembrar-se do país real, da elevada abstenção, das dificuldades que já se sentem e que irão aumentar, dos desafios que Portugal tem pela frente, da necessidade de envolver todos na mudança...Resumindo: Falou para o primeiro para o país e só depois para o seu partido.
3 - Finalmente, o novo Primeiro Ministro, Pedro Passos Coelho: Ao fim de dois minutos de discurso desliguei, não por falta de interesse, mas porque ao uovi-lo lembrei-me aquela frase dos Gatos mal-cheirosos:
"Falam, falam, falam, falam e não fazem nada, pá...Fico chateado, pois claro que fico chateado!"
Assim foi o que pensei do discurso do novo PM: Muitas palavras bonitas, pouco sumo, pouca substância.
Pior, não só não lhe vejo capacidade para galvanizar as pessoas, como pressinto que PPC será um joguete nas mãos dos barões do PSD, sedentos de poder e "jobs for the boys".
Ironia das ironias, não é que ele foi depositar o seu voto num stand de automóveis???
Adeus Socras, até nunca!
2 - Nunca pensei dizer isto, mas...Depois de ouvir os discursos dos líderes nesta noite, o único em quem deposito alguma esperança é...
PAULO PORTAS!
Apesar do Partido Popular não ter nada a ver comigo, tendo até em certos aspetos ideais opostos aos que professo, tenho de reconhecer que foi o único a lembrar-se do país real, da elevada abstenção, das dificuldades que já se sentem e que irão aumentar, dos desafios que Portugal tem pela frente, da necessidade de envolver todos na mudança...Resumindo: Falou para o primeiro para o país e só depois para o seu partido.
3 - Finalmente, o novo Primeiro Ministro, Pedro Passos Coelho: Ao fim de dois minutos de discurso desliguei, não por falta de interesse, mas porque ao uovi-lo lembrei-me aquela frase dos Gatos mal-cheirosos:
"Falam, falam, falam, falam e não fazem nada, pá...Fico chateado, pois claro que fico chateado!"
Assim foi o que pensei do discurso do novo PM: Muitas palavras bonitas, pouco sumo, pouca substância.
Pior, não só não lhe vejo capacidade para galvanizar as pessoas, como pressinto que PPC será um joguete nas mãos dos barões do PSD, sedentos de poder e "jobs for the boys".
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Ontem , no dia de reflexão para as eleições que agora decorrem, duas notícias perturbaram-me:
- A carga policial sobre os Okupas no Rossio;
- José Eduardo Moniz de novo na televisão pública.
Não bastavam as medidas de austeridade da Troika, agora estes sinais mostram que os próximos tempos prometem ser de muita agitação.
1994 = 2011
(Até o Fernando Nogueira regressou à vida política!)
- A carga policial sobre os Okupas no Rossio;
- José Eduardo Moniz de novo na televisão pública.
Não bastavam as medidas de austeridade da Troika, agora estes sinais mostram que os próximos tempos prometem ser de muita agitação.
1994 = 2011
(Até o Fernando Nogueira regressou à vida política!)
quinta-feira, maio 19, 2011
Para onde vais, Portugal?

Agora que a Troika definiu o "Castigo" que Portugal vai sofrer e ao mesmo tempo que as Legislativas se aproximam a passos largos, dei por mim a pensar...
...Não no que nos levou a esta situação, pois isso não só é de conhecimento comum (Os governantes dos últimos 25 anos), como olhar para o passado não nos levará a lado nenhum.
Importa agora é saber o que está a suceder neste momento e que o futuro próximo nos reserva.
Enquanto que a Alemanha se assume como polícia da Europa e demonstra tiques de arrogância e superioridade para com certos estados do Sul da Europa, aqui os nossos políticos parecem querer dar razão a quem nos chama de "Preguiçosos" e "Ingovernáveis", pois PS, PSD e CDS-PP parecem mais interessados em chegar ao Poder do que Governar por forma a tirar o país deste buraco. Isto enquanto a extrema esquerda (BE e CDU) limita-se a fazer o mesmo de sempre, ou seja, auto excluem-se de qualquer proposta construtiva, pois é-lhes mais fácil ficar de fora a criticar quem faz algo.
Conclusão: Como o mais certo é ninguém ter uma maioria clara depois das eleições, ninguém está a ver os três partidos entenderem-se para formar governo, o que quer dizer que vamos andar dias, semanas, ou até meses sem um governo para desespero da Troika e depois dos portugueses que mais cedo ou mais tarde irão sofrer (Ainda mais) com os desvarios da classe política.
O futuro vê-se em tons negros, com as palavras "Desemprego", "Recessão" e "Crise" na ordem do dia, sem que se vislumbre ninguém que queira verdadeiramente mudar o estado das coisas.
quarta-feira, abril 27, 2011
Para onde vais, Europa?
Agora que a extrema-direita se torna numa força a ter em conta em mais um país europeu (Finlândia), questionei-me porque é que esta onda de extremismo populista e xenófoba alastra pela Europa como se fosse uma epidemia, contaminando até povos amantes da liberdade como os holandeses ou franceses.
A resposta poderá estar na falência ideológica e na falta de capacidade de resposta dos partidos políticos mais ao centro e pertencentes ao chamado "Arco do Poder".
Depois décadas de prosperidade, a generalidade dos países europeus vê-se num ponto em que as velhas fórmulas económicas já não conseguem fazer nada face à globalização (1) e onde o futuro se mostra cada dia menos risonho.
Ao contrário de outras alturas de crise, a classe política europeia deixa muito a desejar, parecendo demasiado permeáveis a sondagens e lobbies mais ou menos obscuros, isto quando não se tem o azar de ter um Primeiro-Ministro anedótico como Berlusconi, não é?
Perante este cenário de fraqueza dos partidos mais ao centro, as pessoas tendem em votar nos líderes que não associam ao poder e são contestatários, subindo assim a popularidade dos partidos mais extremistas, especialmente os de direita, pois os de esquerda vivem ainda colados a teorias demasiado utópicas e desajustadas da realidade para seduzir os desencantados.
Assim, muitos votam na extrema-direita mais como se fosse um voto de protesto contra a "velha política" dos governantes e não por concordar (na totalidade pelo menos) com o que estes partidos advogam.
E eis-nos chegados a este ponto, onde um pouco por toda a Europa, desde a França, passando pela Holanda, Bélgica, Hungria até a Finlândia florescem partidos nacionalistas e radicais, pondo em causa o projeto europeu.
Chegou o momento da verdade da UE. Ou conseguimos passar esta fase má com maior integração (Não só económica mas também social e cultural), ou então a União Europeia tal como a conhecemos terá os dias contados, resistindo o esqueleto (Alemanha e países satélites), deixando os restantes países entregues a si próprios.
(1) - Globalização: Teoria que torna menos pobre a maior parte da população dos países menos menos desenvolvidos, ao mesmo tempo que enriquece uma percentagem ínfima da população desses países e empobrece a classe média nos países desenvolvidos.
segunda-feira, abril 25, 2011
37º 25 de Abril
O sentimento de esperança e utopia que fugazmente nasceu em 1974 hoje parece distante e deslocado, mas o sonho de um mundo melhor, esse, nunca nos deve abandonar.
domingo, abril 10, 2011
FMI - O Fim?
Agora que gozamos os últimos dias de liberdade antes de nos tornarmos em mais um protetorado alemão da UE, pus-me a pensar como é que chegamos a este ponto. A resposta mais fácil e conveniente seria atribuir a culpa toda aos políticos, pois esse é o bode expiatório mais comum mas, não deixando de ser em parte verdade,em rigor eles só estão lá porque foram eleitos.... A "chatice" que as democracias têm é essa, não podemos apenas sacudir a responsabilidade para os governantes e assim lamentar o nosso destino no papel de vítimas inocentes, longe vão os tempos em que os monarcas portugueses "enterravam" o ouro do Brasil na construção de palácios e catedrais, ao mesmo tempo que outros iniciavam aquilo que se chamaria de Revolução Industrial... Nós enquanto povo tivemos a responsabilidade de eleger e perpetuar no poder quem enterrou o "ouro" que nos foi oferecido pela Europa para construir Auto-Estradas, Estádios de futebol e outras obras públicas que no futuro serão tão inúteis como foram no passado os referidos palácios e catedrais. Pode até dizer-se que Portugal dá-se mal com períodos de abundância, pois basicamente não sabe o que fazer com o dinheiro, lembra aqueles que por sorte lhes sai a lotaria e depois de um período de festa e esbanjamento sem acautelar o futuro, acabam ainda pior do que estavam antes do prémio. Depois de Portugal entrar no Euro, entrou-se numa onda de consumismo brutal, dando a ilusão que de repente éramos todos franceses ou alemães...Muita gente se endividou na compra de casa, modelos da BMW, Audi e Mercedes passaram a estar entre os carros mais vendidos e os padrões de consumo/esbanjamento não pareciam ter limite, bastava ver os Shopping's nascendo como cogumelos na paisagem. Já com a crise declarada e endividados até ao tutano, os tugas continuaram embriagados pelo dinheiro fácil e a gastar como se não houvesse amanhã... Um dia isto teria de acabar. Agora com a vinda do FEEF/FMI, sente-se que as pessoas estão a acordar para a ressaca dos excessos cometidos, deparando-se com o fim do dinheiro fácil e o início de uma nova era. Há dias, um colega de trabalho queixava-se que o final do mês nunca mais chegava e que teria de ter cuidado nos seus gastos com alimentação até receber novo salário. Sabendo que o salário dele até era bem razoável, inquiri-o: "Então para onde foi o dinheiro?" E ele respondeu-me: "São as prestações da casa, do carro, as mensalidades da TV cabo, ginásio, etc." Depois de esmiuçar esse "etc.", ficaram evidentes onde estava o esbanjamento, uma noitada no Casino que ficou na módica quantia de 150 €, a prestação (75€) do empréstimo que fez para as férias no México, a compra de um jogo novo (50€) para a Nintendo... Só aqui foram 225 € gastos em coisas acessórias, o que juntando a todas as outras despesas (e não são poucas...) deixa pouca margem para aquilo que deveria vir em segundo lugar, a Alimentação (Em primeiro, claro está, está a Saúde). Com cada fim há sempre um início, assim pode ser que este tratamento de choque nos faça retomar alguns bons hábitos que tínhamos antes da entrada na CEE, isto desde que o garrote não nos asfixie e já agora...Que a moda dos bigodes fique bem enterrada nos anos 70/80 ou nas novelas da TVI!
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
A propósito dos bitaites alemães sobre a nossa economia
"Ora...Eu queria um berbequim da Bosch, um VW Golf, uma máquina de lavar Siemens, um cabaz de compras do LIDL e...esse CD aí dos Tokyo Hotel."
"Como é que vou pagar? Olhe, tenho aqui umas garrafas de tinto do bom...Não gosta de vinho? E então umas Super Bocks fresquinhas? Ai têm melhor, é? E uns enchidos? Também têm? Então e...umas conservas, pode ser? Sempre paga os Tokyo Hotel...Quanto ao resto, olhe venha passar cá as férias que somos muito, muito hospitaleiros!"
"Como é que vou pagar? Olhe, tenho aqui umas garrafas de tinto do bom...Não gosta de vinho? E então umas Super Bocks fresquinhas? Ai têm melhor, é? E uns enchidos? Também têm? Então e...umas conservas, pode ser? Sempre paga os Tokyo Hotel...Quanto ao resto, olhe venha passar cá as férias que somos muito, muito hospitaleiros!"
domingo, janeiro 23, 2011
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