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sexta-feira, agosto 20, 2010

RETRO 2008

O LUSITANO PURO

Situação 1

Em conversa, o fulano A refere-se ao estado do país:

"Isto está muito mau...Ainda por cima com a crise...Para mudar isto só alguém com tom****, como dois Salazares, porque um não chegava..."

Mais tarde quando o interlocutor lembra as "reformas" de Sócrates, o fulano A responde:

"Ah, mas ele quis mexer em muita coisa, é preciso ir com calma, pois as pessoas não podem mudar assim de um dia para o outro..."

Situação 2

Num primeiro momento, as queixas dos consumidores acerca do preço elevado dos combustíveis sobem de tom...

...E num segundo momento, uma associação de consumidores pede para não abastecer durante UM DIA como forma de protesto e...

...Os lusitanos ignoram o protesto.

CONCLUSÃO:

O lusitano tem o gene do queixume crónico, agora fazer algo para mudar o status quo..."Náááá, vamos mas é malhar uns copos ao Vírgulas!"

sábado, agosto 14, 2010

Retro 2007 - "Todos os cavalos do Rei" *

Jonas é um homem solitário, apesar de partilhar apartamento com mais três pessoas.

Acontecia que, devido às mais variadas razões, desde horários de trabalho diferentes, até simples acasos do destino(?!), Jonas nunca conseguia estar com os seus companheiros de quarto. Apenas conhecia as identidades de quase todos, já vira (ou supora ver) as suas imagens numa das muitas molduras repletas de fotografias espalhadas pelas paredes da habitação e estava certo da sua existência devido às roupas que frequentemente encontrava espalhadas pelo chão da casa de banho quando se preparava para tomar duche de manhã cedo.

Apesar de tudo, ainda era possível haver comunicação entre os quatro. Dizem que a necessidade aguça o engenho humano e, neste caso, o aguçar resultou numa engenhosa rede de troca de post its, fixos à porta do frigorífico com ajuda de um íman que tinha saído como brinde numa da promoções dos iogurtes DanoneTM, muito apropriadamente em forma de dinossauro. Cada elemento do quarteto possuía a sua própria cor, para mais fácil identificação. Amílcar, o enfermeiro masturbador obeso e compulsivo (ou pelo menos assim o imaginava Jonas) escrevia nos papelinhos de côr amarelo pálido, papeis esses que, invariavelmente, apareciam manchados; Clara(?), a única habitante feminina da casa, escrevia num papel negro com tinta de corrector; já Jonas escolheu o cor de laranja, escolha óbvia por ser a variedade mais fácil de encontrar. Mas lá no fundinho, o que ele queria era a côr transparente, para espelhar o vazio que lhe ia na alma (lindo, hem? :P). Restava ainda um elemento, o autor das mensagens dos post its brancos, mas a esse ninguém conhecia o nome ou sequer o aspecto físico. Só era, conhecidas a sua trabalhada letra tipo imprensa e as suas mensagens monocórdicas e pragmáticas.

Muitas vezes Jonas, Amílcar e Clara tinham combinado (via post-it, claro) ficarem atentos, para ver quando o quarto elemento chegava a casa, mas nunca o tinham conseguido ver, nem sequer um vislumbre que lhes permitisse, pelo menos, discernir se se tratava de um homem ou de uma mulher. No entanto, como pagava sempre a sua parte da renda religiosamente, todos os dias 27 de cada mês, no final não lhes fazia grande diferença de quem se tratava. Embora muitas vezes a imaginação de cada um os levasse a pensar nas histórias mais mirabolantes e arrepiantes e lhes escapasse a razão para esta misteriosa personalidade se esforçar tanto por esconder a sua identidade.


Batatas

* - Ao melhor jeito das colecções de raridades de artistas desaparecidos, encontrei este texto nunca publicado no 7M, datado de Julho de 2007, cuja autoria pertence a alguém com um mundo interior algo estranho mas que no fundo apenas queria ser baixista de uma banda punk.

Ricardo, alles gut aus Munchen?

terça-feira, julho 06, 2010

Momentos de felicidade

Três da manhã, está calor e não tenho sono.

Abro a persiana, vou para a varanda com uma "fresquinha" numa mão e uma cadeira na outra.

Sento-me e por momentos tomo atenção aos barulhos da noite, cigarras e rãs preenchem o vazio e a escuridão faz-me imaginar que o mar está na minha frente.

De repente imagino-me de férias no Algarve e recordo momentos idênticos nos meus tempos de estudante, em que estudava para os exames de Julho até às tantas na varanda.

Bons tempos...Essas noites quentes de Julho passadas na varanda ficarão sempre na memória para sempre...

Um mosquito pica-me e regresso à realidade, amanhã é dia de pica-boi e já é tarde.

Vou para a cama tentar dormir. Pelo menos tentar.

quinta-feira, junho 10, 2010

Radar (Que saudades da XFM!)




De volta a este cantinho da net, para dizer que a descoberta da Radar FM fez-me ter saudades da saudosa XFM, "A rádio de uma imensa minoria" e que tanto marcou a minha adolescência, o António Sérgio e o "Grande Delta", o Nuno Galopim...

Depois da revelação que tinha sido a adesão à então novel "Antena 3", a XFM foi o complemento ideal, uma espécie de "Lado B" que permitia ouvir sons fora do circuito comercial e descobrir projectos ainda antes da sua explosão mediática.

Entretanto a XFM fechou para pena dessa "imensa MINORIA" e a Antena 3 foi mudando, por vezes para melhor, outras para pior, mas apesar de tudo continuei ouvinte fiel.

Faltava era aquele "Lado B", o lado alternativo...

Que encontrei agora na Radar.

Com as limitações de uma rádio local e PRIVADA, conseguiu reunir um conjunto de pessoas da rádio, Galopim (mais uma vez em grande), Inês Meneses, etc, que lhe dá esse aroma a "Lado B" da rádio, mais concretamente, XFM versão 2010.

quarta-feira, maio 05, 2010

Retro - 2005

I - Bébés

Há uns tempos fui ao Porto de comboio e perto de Ovar senta-se em frente a mim uma trintona com um bébé ao colo e prepara-se para lhe dar o leitinho da ordem.

Há medida que as estações e apeadeiros se sucedem, noto algo de curioso: À volta da trintona formou-se uma congregação instantanea de mulheres dentro do prazo completamente derretidas com o rebento, falando com a mãe e brincando com o dito.

Isso deixou-me a pensar...Os homens são mesmo burros!!! Em vez de gastarem x Euros pagando bebidas e sabe-se lá que mais ao gajedo nas discotecas, para no final ficarem a chupar no dedo, porque não levar um bébé para o comboio?!?!

Sucesso garantido e sem grandes custos!

Vejam bem, peçam o vosso filho/primo/neto/sobrinho/afilhado/irmão/filho do amigo/vizinho/etc. emprestado por umas horas, levem-no a passear de comboio por umas horas e deixem que a vossa natural incompetencia em lidar com o puto traga ao de cima os impulsos maternais do mulherio em redor de forma a que rapidamente elas se ofereçam para ajudar e brincar com o ganapo.

Conseguida a atenção das representantes do belo sexo, é chegada a vez da selecção, o qual aconselho dois critérios:

O primeiro, acho que nem é preciso dizer, tem a ver com a selecção dos exemplares dentro do prazo...

No segundo escolhe-se a que demonstrar ter mais vontade em brincar com o bébé, afinal se gostam de brincar com miúdos, também devem gostar de brincar com graúdos...


II - Coletes Reflectores

É a última moda automóvel: compra-se o colete (é obrigatório por lei...) e exibe-se orgulhosamente o dito no habitáculo! Muitos deixam-no na chapeleira, outros, mais metódicos, vestem o banco do acompanhante com o colete para que assim todos os que olharem para a sua máquina saibam que já compraram o colete.

Assim julgam habilitam-se a ganhar um prémio, tal como há uns anos havia aquele autocolante da Rádio Renascença...


III - Audi's A3

Os donos podem dividir-se em dois grandes grupos:

Os que têm modelos recentes são os meninos bem, o papá deu-lhes um como prenda de ter tirado a carta, ou começaram a trabalhar numa profissão bem, como Bancário ou Advogado...

Os que têm modelos mais antigos são os parolo-radicais, gostariam de ser como os primeiros mas como não podem ficam-se por A3's em segunda mão (tal como outras coisas...). Muitos têm um gosto especial pelo tuning e é vê-los gastar chusmas de Euros em élerons, jantes, spoilas...Tudo para fazer ver aos seus colegas/rivais dos BM série 3 kittados...

IV - Bento XVI

Eis o perfil do novo Papa

domingo, abril 04, 2010

Sinal de que já não tens 20 anos - II

Antes gostava de calçar botas de cano alto em dias de calor pois achava que era sinal de rebeldia...


...Hoje calcei botas num dia de calor e foi um suplício, por mais de uma vez suspirei por calçado confortável...

quarta-feira, março 17, 2010

Ainda sou do tempo...


...Em que o mundo era analógico.

Não havia computadores, nem Internet, muito menos a Web 2.0 das redes sociais.

Se queríamos comunicar com quem estava longe, havia o correio...O dos CTT, claro. Os telefones vinham só numa variedade, eram fixos, cinzentos e pesadões, mas mesmo assim nem toda a gente os tinha, sendo comum dar-se o número de telefone da vizinha ou do café ao lado caso alguém quisesse falar connosco.

Qualquer visita a um posto de atendimento ao público era efectuado tendo como pano de fundo o matraquear das máquinas de escrever(1) com largos anos de desgaste.

Se queríamos conhecer jovens de outros países sem sair de casa, havia nas escolas uma coisa chamada de "penfriends", coisa normalmente organizada pelos professores de Línguas e sob pretexto de praticarmos a língua em causa (Quase sempre Inglês ou Francês), lá trocávamos cartas com a curiosidade própria de quem explorava outras realidades...quase sempre do sexo oposto.


1 - Palavra típica do séc XX, entretanto caída em desuso.

Pronto, está feito, este foi um post à Velho do Restelo, à Cota, agora com licença que vou calçar as pantufas e preparar um cházinho e bolachinhas, para depois sentar-me em frente à lareira e ver mais uma novela da TVI...

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Benvindo ao passado

1 de Novembro de 2003


Dia de Todos os Santos, por Pecado Mortal (irmão de Inteligente, Cromo e Sensível, os irmãos Esquizo)

Sim, hoje é feriado! Hip hip, hurra!!!

Mas porquê? Sei lá, o que interessa é que é feriado... não tenho de acordar cedo, eh eh....

Mesmo assim tenho uma reclamação a fazer:

- Não podia ser sempre à semana? Sempre era menos um dia a trabalhar...

E uma sugestão: porque não criar mais feriados religiosos?

O dia de S. José, por exemplo, afinal é o pai de Cristo! Se a mãe Maria tem um dia só para ela, porque não outro dia para só para ele? Igualdade é Igualdade!!!

Se isto fosse avante, até eu era capaz de ir à igreja, assim em vez de ir dormir para casa depois de uma noitada bem bebida, fazia o sacrifício de ir dormir para a missa!...

FERIADOS!!! FERIADOS!!! FERIADOS!!!

terça-feira, janeiro 12, 2010

E tu, onde estavas no ano 2000?



Estava na Universidade. Os tempos mostravam sinais de mudança, as propinas haviam deixado de ser simbólicas, os empregadores já não recrutavam licenciados à saída das Universidades e o futuro começava a ser questionado por alguns.

Mas nem tudo era mau, os dias passados com as meninas checas do Erasmus, as noites de Inverno com os Doors em pano de fundo, os finais de tarde na esplanada do IPJ... E claro, a adrenalina nos exames de Estatística ou Investigação Operacional.

Sim, a vida era muito mais simples...

terça-feira, outubro 27, 2009

Forever Young

Uma das vantagens de ter 33 anos é já não estarmos subjugados ao anátema do "Ser Jovem".

Não nos sentimos velhos, mas também já nos mentalizamos que não temos 18 anos, com tudo o que isso acarreta.

Agora diverte-me encontrar colegas de trabalho nos "Vintes" descobrirem que o "Forever Young" apregoado por uma certa música(1) não é mais que uma balela, pois haverá sempre alguém mais novo que nós pronto para ser a nova "mascote", empurrando as anteriores mascotes para uma segunda linha porventura mais obscura mas também mais real.

"Ser Jovem" é uma fase, não uma qualidade.

(1) - Mais uma razão para sentir os 33 anos, lembrar-me da versão original desta música. Desta e de outras. Pior, lembrar-me dos Anos 80 e recordar que ao contrário da memória vigente em 2009, os 80's não foram só descoberta, eyeliner e glamour (Nem todos vivemos em Lisboa), esses anos também foram kispos, Zundapp's e matinées ao Domingo em barracões que alguém se lembrou de chamar "discotecas".

sexta-feira, setembro 11, 2009

Onde estavas no 11 de Setembro?

Tal como acontecia anos antes com a pergunta "Onde estavas no 25 de Abril?", muitos ainda se lembrarão onde estavam no dia 11 de Setembro de 2001 quando souberam da tragédia que hoje lembramos.

Para recordar, aqui seguem os primeiros cinco minutos de reportagem na CNN sobre esses momentos de horror.

quinta-feira, julho 30, 2009

1 year ago in 7M

Nostalgia é...

...Olhar para fotos antigas, relembrar momentos passados e soltar gargalhadas por cenas já esquecidas.

domingo, maio 24, 2009

Cigarros de chocolate



Alguém se lembra de uns chocolates em forma de cigarro que se vendiam nos cafés há cerca de 25 anos?

Estávamos no início dos 80's, os tempos eram outros, éramos independentes (A CEE ainda não nos tinha anexado), o politicamente correcto não tinha o poder castrador de agora e as crianças "fumavam" alegremente cigarros de chocolate, imitando assim o comportamento dos pais, os quais nem imaginavam que tais produtos eram patrocinados pelas Tabaqueiras para instruir a próxima geração no vício tabaqueiro...

quarta-feira, julho 23, 2008

Há quatro anos no 7 Meses...

...Em dia de calor e pouca inspiração, pensei nos três leitores que insistem em vir cá e ainda não foram para a praia, tendo decidido re-editar um texto do 7M de Julho de 2004 acerca do Império do Meio, intitulado: Um Comboio chamado China


A China é um comboio desgovernado em direcção ao mundo ocidental - Bob Lutz, Presidente da General Motors

Foi esta frase que me deixou curioso sobre o fenómeno China, não são só as lojas dos chineses, nem as bandeiras portuguesas made in Beijing ou as cadeiras importadas pela metade do preço que mostram a pujança económica deste país.

Para terem noção do crescimento anual do país, o crescimento do PIB anda à volta dos 10% ao ano, para infelicidade do governo chinês, que ao contrário da generalidade dos governos de outros países tem procurado refrear o crescimento do mesmo (em Portugal reza-se para o PIB crescer).

Outro dado, o mercado automóvel tem crescido 30% ao ano, caminhando a China para deixar de ser o país das bicicletas para o país dos engarrafamentos gigantescos...

Fiz um pouco de pesquisa e reparei noutro aspecto: a sede de conhecimento, enquanto que no nosso país o desemprego grassa por entre os professores, nos sites asiáticos de emprego surgem inúmeras ofertas no ensino chinês para professores estrangeiros, seja para a área linguistíca ou de engenharia, nota-se uma vontade de assimilar conhecimento alheio.

E não se pense que são ofertas mal-remuneradas, pois nessas ofertas um professor licenciado pode ganhar cerca de 1.900 Euros por mês...

Só apostando forte na educação podem fazer aquilo a que se pretendem: pegar numa China pré-revolução industrial e torná-la numa potência mundial em 20 anos.

Já agora, um apontamento final para a febre consumista do povo chinês, enquanto compram tudo o que mexe as suas mentes não pensam no facto de viverem em ditadura e no massacre de Tien An Men...Aliás podiam substituir a estrela na bandeira pelo cifrão!

quarta-feira, julho 16, 2008

Momento de Nostalgia é...

...Olhar para fotos antigas, relembrar momentos passados e soltar gargalhadas por cenas já esquecidas.

Oh God, is this PDI taking over?!?

sexta-feira, junho 20, 2008

O Costa

Há alguns anos (mais do que a saudade gostaria), fui estudar para uma Universidade do interior cujo Campus em construção estava fora da urbe principal e sedeada numa localidade chamada Repeses.

Naquele tempo, o centro de Repeses ainda retinha muitas características das aldeias beirãs, as casas em pedra de granito, a senhora que deixava o pão à porta, o tasco central/sede do clube de futebol...Farmácia? Multibanco? Isso eram luxos que apenas se encontravam na cidade, local distante e só acessível de carro ou através da carreira.

De igual modo, para fazer as compras tínhamos de descer à urbe para ir ao Pingo Doce ou ao Modelo, pois em Repeses havia só dois minimercados para abastecer uma população de milhares de alunos.

Dois é favor, um era mais uma loja de aldeia em que ao lado da minúscula mercearia da D. Eva, senhora sorridente e bem entrada nos cinquentas (sessentas?), havia um balcão de madeira onde os homezzz...da terra bebiam um copo de tinto servido pelo bigode-marido-da-D.-Eva, enquanto discutiam as peripécias do futebol nacional.

Fosse pelas moscas que cortavam o ar, pelo cheiro a tinto carrascão ou pelo ar decrépito do mobiliário tipo Estado Novo, certo é que frequentei poucas vezes este resquício de loja comunitária.

Já o segundo, que ficava a 50 metros de minha casa, podia considerar-se digno de uma inspecção da ASAE, a higiene era aceitável e os produtos estavam (quase sempre) dentro do prazo e sem pó.

Chamávamos "O Costa", pois à falta de dístico à entrada, baptizámos o minimercado com o nome do patrão. Quer dizer, patrão, patrão...só se fosse dele próprio, pois lá só trabalhavam ele e a mulher.

O Costa era uma personagem curiosa, pois a primeira impressão que dava aos estudantes que lá iam abastecer era algo: "Mmm...Mais uns vagabundos que vêm para aqui roubar..."

E lá ficava ele de soslaio a olhar para nós, fingindo mexer nas prateleiras, enquanto a mulher nos esperava na Caixa Registadora. Parecia estarmos em casa alheia onde alguém tinha medo que roubássemos as pratas.

Possuía também uma estranha fixação pela máquina de cortar fiambre, pois sempre que lhe pedíamos fiambre, demorava uma eternidade para cortar 150 gramas do dito, tal a vontade em cortar as fatias de forma perfeita e quando o terminava, exibia um sorriso que não ficava longe do Freddy Krueger...

Por falar em gente repelente, lembrei-me do Nuno, ex-colega de curso que chegou a morar por cima do Costa. Personagem queirosiana, o Nuno era oriundo de uma aldeia transmontana e de certeza foi educado na velha máxima: "Macho que é Macho vai às putas e bate na mulher", pois se não ia às ditas (que se soubesse, claro), gostava bastante de enganar as namoradas e exibir as conquistas extra-namoro aos demais, ostentando nesses momentos um sorriso que se traduzia por: "Olhem para mim a comer isto, sou mesmo macho, o rei da capoeira!..."

Mas o Nuno não me ficou na memória por essa razão, ficou pela seguinte história, que tem o seu quê de cómica.

Certa vez estava num bar com pessoal do curso, estando incluído na malta o Nuno.

Eis que chega à porta do bar uma rapariga com quem tinha começado a andar há poucos dias e o Nuno, no seu jeito muito próprio, disparou a seguinte bomba:

"É pá, a semana passada vi aquela ali na ****** (discoteca da moda) e fazia-se aos gajos todos!  Deve ser cá um maquinão a f**** na cama...Alguém a conhece?"

Os meus colegas ficaram entre a indiferença (quem não sabia) e a incredulidade (quem sabia), esperando a minha reacção.

A princípio pensei em descompôr o rapaz, mas...fiz melhor que isso.

"Sim, conheço!..." - respondi, em tom alegre "Queres conhecer?"

"Quero!!!" - Respondeu o Nuno, antecipando já a pinocada.

Levantei-me e chamei-a.

- *****! Anda cá, quero que conheças uma pessoa...

(Beijo na boca)

- Olha, este é o Nuno...Disse que te queria conhecer...

A minha ex estranhou a frase, mas deve ter estranhado ainda mais a cara do Nuno (Se o chão tivesse um buraco...) perante tal situação.

Os meus colegas mal puderam conter o riso...

Desde então o Nuno nunca mais me falou. Não posso dizer que lamento, pois machos daqueles não fazem bem à saude mental de ninguém.

A última vez que ouvi falar dele foi através de uma colega que me informou que o Nuno é Vice-Gerente de um Pingo Doce. E que continua a enganar as namoradas...

"Coitadas das funcionárias" - Pensei.

segunda-feira, abril 28, 2008

Notas Soltas

Empatia

Neste mundo cada vez mais formatado e artificial, por vezes torna-se difícil encontrar pessoas onde a empatia seja natural e profunda, por vezes esta surge logo num primeiro olhar, em que por uma razão inexplicável sentimos  confiança naquele ser desconhecido.

É raro, mas acontece.

Na maior parte dos casos porém, a empatia surge ao fim de algum tempo, quando o conhecimento do outro se sobrepõe às eventuais reservas estereotipadas.

Os momentos de empatia são como uma corda que nos ampara, uma Comfort Zone nos momentos mais difíceis, ou até um momento para carregar baterias e afastar as nuvens do horizonte.

 

Defining Moments

Existem momentos que alteram o nosso futuro de forma irreversível e que só nos apercebemos da sua dimensão quando regressamos ao local do crime, seja ele um lugar ou uma situação.

É nesses momentos que a mente nos pergunta: "E se..."

E se tivesse optado pela porta oposta à escolhida? Seria mais feliz? Maybe, maybe not, o certo é que os momentos são irrepetíveis, tal como as decisões tomadas e destas devemos aprender para o futuro em vez de lamentar o passado.

 

Fim de Ciclo

Existem ciclos na vida de um mortal e com o fim de cada um vem um sentimento de "fim de festa", sinal das mudanças que se avizinham e que é importante não ignorar, pois não há nada pior nestas alturas do que passar inconsciente por estas fases de mudança.

Comecei o 7M no início do ciclo actual, como se este fosse pedra basilar de um novo edifício que se queria em construção e agora que um novo ciclo se prepara penso no que este me deu, nas pessoas que conheci e chego à conclusão que...Devia ter começado o blogue mais cedo. Ou não, pois se houve coisa que aprendi nestes cinco anos, é que tudo tem o seu tempo e é um erro forçar/arrastar certas situações.

The future's bright if you have patience to wait for the growing seeds.

K

quinta-feira, abril 17, 2008

Dança comigo e outros traumas profundos

Existem pessoas com dons muito especiais, como palitar os dentes com uma moto-serra ou cortar as unhas com uma debulhadora, mas a maior parte dos dons são mais comuns como por exemplo cozinhar, jogar futebol ou, neste caso, dançar.

E depois existem pessoas que são precisamente o contrário, o dom destes passa precisamente por serem maus numa determinada área, mesmo muito maus, mas assim mesmo mesmo muito maus, medíocres como Santana Lopes na tomada de posse como Primeiro-Ministro, ou Luís F. Vieira como Presidente do Benfica. Estão a ver? Sim, fracos. Fraquinhos.

Ora, o meu dom cai nesta segunda categoria e refere-se à dança.

Várias almas caridosas tentaram ensinar-me alguns passos de dança, com resultados terríveis para os pés e joelhos das vítimas.

Uma, talvez mais avisada, usou sapatos com biqueira de aço no momento das lições, o que a princípio encheu-me de confiança, pois parecia que pela primeira vez estava a acertar (pelo menos não errava tanto) com os movimentos.

Desgraça: Depois de cinco minutos de salsa, começamos ao som do tango e num movimento mais brusco, a minha professora sai disparada em direcção ao roupeiro e bate com a cabeça na esquina, abrindo-lhe ligeiramente o sobrolho.

Nunca mais dei um passo de dança.