quarta-feira, fevereiro 24, 2010
Sinal de que já não tens 20 anos
quinta-feira, outubro 09, 2008
Wild Child
Dizia uma colega minha a propósito de uma situação que assistiu no Jardim de Infância, que "...As crianças quando querem são crueis".
São-no efectivamente, tanto como os adultos, mas com uma diferença:
- As crianças são mais directas na abordagem e não disfarçam sentimentos, se não gostam de alguém, partem logo para a agressão verbal e para a bulha;
- Já os adultos aprenderam a utilizar técnicas mais sofisticadas, como por exemplo a facadinha nas costas ou a ironia mais ou menos disfarçada.
A crueldade, essa é a mesma.
terça-feira, outubro 07, 2008
A Alegria das Noviças
“the hills are alive, with the sound of music...”
Foi esta a frase que me ocorreu há dias, quando reparei em duas pitas num concerto a que assistia.
A cerca de um metro de mim, duas miúdas que concerteza conservam fresca a memória de vestir pela primeira vez o soutien, dançavam ao som da música, indiferentes ao facto de serem as únicas em tais figuras e à vergonha mal disfarçada do jovem que as acompanhava.
Naquele momento viviam a alegria pura da experimentação, da novidade, da descoberta, que diminui sempre que a experiência ganha ascendente.
Aquelas duas ali eram como noviças no meio de freiras.
quarta-feira, agosto 06, 2008
Curtas
Nova Catedral
Uma espécie de Igreja Pop
Frase do Dia
"Sorte têm os miúdos, as chatices com os amigos duram cinco minutos e depois já são de novo amigos...Desconhecem o orgulho, é o que é!"
segunda-feira, julho 28, 2008
A Quinta da Fonte por Mário Crespo
O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. 'Perdi tudo!' 'O que é que perdeu?' perguntou-lhe um repórter.
'Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem...' Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos autodesalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga 'quatro ou cinco euros de renda mensal' pelas habitações camarárias.
Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que 'até a TV e a playstation das crianças' lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência.
A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam 'quatro ou cinco Euros de renda' à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo.
É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a 'quatro ou cinco euros mensais' lhes sejam dados em zonas 'onde não haja pretos'. Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade.
O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - 'ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos.' A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e autodenominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil.
Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.
(Fonte: JN)
segunda-feira, junho 30, 2008
Frase do dia - 30/06/08
Or does it? *
* - Frase com que terminei um texto sobre a eterna relação homem/mulher. Acabei por não o publicar, pois ao fazer a revisão deste, pareceu-me demasiado "Sexo e a Cidade".
quinta-feira, junho 26, 2008
Time To Pretend
I'm feeling rough, I'm feeling raw, I'm in the prime of my life.
Let's make some music, make some money, find some models for wives.
I'll move to Paris, shoot some heroin, and fuck with the stars.
You man the island and the cocaine and the elegant cars.
This is our decision, to live fast and die young.
We've got the vision, now let's have some fun.
Yeah, it's overwhelming, but what else can we do.
Get jobs in offices, and wake up for the morning commute.
Forget about our mothers and our friends
We're fated to pretend
To pretend
We're fated to pretend
To pretend
I'll miss the playgrounds and the animals and digging up worms
I'll miss the comfort of my mother and the weight of the world
I'll miss my sister, miss my father, miss my dog and my home
Yeah, I'll miss the boredom and the freedom and the time spent alone.
There's really nothing, nothing we can do
Love must be forgotten, life can always start up anew.
The models will have children, we'll get a divorce
We'll find some more models, everything must run it's course.
We'll choke on our vomit and that will be the end
We were fated to pretend
To pretend
We're fated to pretend
To pretend
terça-feira, maio 20, 2008
"...O corpo é que paga..."
Apesar de no dia-a-dia o nosso corpo parecer em forma, é quando abusamos dele que este nos deixa mal, como se dissesse:
- Já não tens 20 anos, pá! Ganha mas é juízo...
E lá vamos nós para o sofá ver televisão ao mesmo tempo que se toma chá e bolachinhas...
quinta-feira, abril 17, 2008
A Carta.
Hoje escrevi uma carta à mão e depois enviei por correio, acto hoje quase parece anacrónico com a difusão de computadores e internet, mas que traduz a importância de certas mensagens.
Escrever uma carta à mão e enviar por correio tem o mesmo valor que ir de noite arriscar a pele no jardim da vizinha e roubar a rosa mais bonita para entregar ao nosso objecto de desejo.
segunda-feira, março 17, 2008
Listen to your heartbeat (Momento RFM)
David Sylvian/Ryuichi Sakamoto/Ingrid Chavez - Heartbeat
O nosso coração é um músculo admirável, se vivermos 100 anos, este estará sempre em actividade durante esse tempo, sem descanso, sem noites bem dormidas, sem férias merecidas ou greves apetecidas.
Ao contrário de outros orgãos, como o estômago guloso que só trabalha em troca de comida, ou o sexual que só se mexe depois de o estimularem, o coração serve-nos sem pedir nada em troca, sempre mais ou menos constante, sempre fiável, sempre discreto.
Pode ser grande ou pequeno, doce ou amargo, quente ou gelado, embora sempre em sentido figurado.
Listen to your heartbeat.
segunda-feira, março 03, 2008
UMA AVENTURA...no centro de saúde
Aproximo-me do Centro de Saúde na esperança de ser dos primeiros a chegar e com a recomendação da funcionária ainda martelando na memória: "Olhe, vá muito cedo que as vagas esgotam depressa!"
Um, dois...Vá lá, parecem poucos à espera.
Dois...E o resto! Ao aproximar-me da porta apercebo-me de mais utentes que largaram o calor de suas casas e enfrentaram o frio decorrente do amanhecer.
Oito, nove...Doze. Doze pessoas, na sua maioria idosos, enganam o sono com comentários esporádicos.
"Você está para que Doutor?" - pergunta um senhor de bigode e dos seus sessenta anos, encostado ao parapeito da janela.
"Quem está para a Doutora..." - questiona uma senhora de óculos e longo sobretudo negro acabada de chegar.
7:30
A quantidade de utentes aumenta, desfazendo-se a segregação de género que encontrei à chegada (homens à direita, mulheres à esquerda), tal como à entrada de uma qualquer mesquita. Seria uma manifestação de velhos hábitos enraizados nas origens beduínas do nosso povo? Educação made in Estado Novo? Ou somente mero acaso? Bem, Salazar não gostava de misturas entre sexos e o Cardeal Cerejeira...
"Isto parece uma festa!" - Os meus pensamentos são interrompidos por alguém que comenta o ajuntamento entretanto formado à porta do Centro.
Só então reparo que a meu lado havia uma roda de idosos, estando um deles, com uns setenta anos bem entrados, a contar como tinha chegado às seis da manhã e que não tinha conseguido chegar primeiro, pois aquela senhora ali do canto (identificou a idosa com o olhar), já tinha chegado.
Estranho desporto este do chegar-primeiro-ao-centro-de-saúde, qual será o prémio? Uma gripe por esperar ao frio?
8:00
Abrem finalmente as portas de acesso ao interior. Apesar de lá fora o frio não apertar, sentimo-nos mais reconfortados no ambiente controlado do ar condicionado.
As funcionárias do atendimento entram ao serviço e logo o povo corre em direcção a estas, acabando tudo ensanduichado contra o balcão. Com o humor próprio (mau) das segundas-feiras, uma das funcionárias dispara: "Aqui não se fazem consultas do dia!"
A colega tenta meter alguma ordem na mole humana e então assiste-se ao espectáculo de pessoas trocando de posição, esquerda para a direita, direita para a esquerda, para a frente e para trás, como se fossem sardinhas de escabeche em busca da melhor posição numa minúscula lata.
Alguém mais stressado diz para a pessoa ao lado: "Que pouca vergonha, não sabiam meter umas senhas para evitar estas confusões?!?"
A funcionária interrompe o atendimento em mãos e talvez ainda ressacada de alguma manif de trabalhadores do estado, diz alto e bom som: "É, e depois atrasava-nos a vida toda, não? Chamávamos as pessoas e elas não vinham! Assim está muito bem!..."
Perplexo com esta afirmação e ainda a tentar perceber o alcance da mesma, dou conta que, qual gelo polar a descendo o glaciar, estou quase a tocar o balcão.
Enquanto preparava a documentação, ouço a utente à minha frente pedir uma consulta:
"Para quando é que quer?" - pergunta a funcionária, apressada.
"Era p'ra amanhã..." - responde a sexagenária com chapéu de inspiração soviética.
- É o número sete, próximo!
- Mas...É de manhã ou de tarde?
A funcionária levanta a cabeça e talvez espicaçada pelos achaques daqueles dias difíceis do mês, responde de forma ríspida:
- Claro que é de manhã!!! O Doutor atende só de manhã! Próximo!!!
Chego-me à frente e peço uma consulta para um certo dia, ao que a funcionária responde maquinalmente, registando os meus dados e anunciando como se fosse a lotaria:
- Número oito, próximo!...
Ainda tentei expressar a minha admiração por já haver sete pessoas à minha frente, mas desisti pois a funcionária já estava com outra pessoa.
8:30
No caminho de regresso pensei no que fariam as funcionárias no resto do dia, pois se atendiam os utentes todos até às nove da manhã, o que fariam depois?...
Foi então que reparei numa máquina de snacks e cafés...
THE END
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
28/02/08
1 - Aniversário
Sempre uma época de balanço, o nosso aniversário adquire um significado especial quando mudamos de década, dos 29 para 30, 39 para 40 e assim por diante.
Talvez porque apesar de parecermos iguais ao dia anterior, entramos num patamar novo de senilidade idade, pois deixamos de ser trintões maduros para entrar na ternura dos quarenta, ou largamos a meia-idade dos 50 para a pré-reforma dos 60...
É como se de um dia para o outro tivéssemos mais dez anos em cima.
2 - Prendas
Acho verdadeiramente deprimente o primeiro dia em que recebemos meias como prenda, tal quer dizer uma de duas coisas: Ou quem deu a prenda pretende insultar-nos, ou então, mais grave, atingimos uma idade onde o álcool é-nos interdito (lá se vai o Whiskey), as referências culturais datam de há 20 anos atrás e já recebemos camisolas idênticas durante três anos seguidos.
Chegados a este ponto, é melhor dar um voto sincero de parabéns do que entregar algo só para dizer: "Toma, não me esqueci de ti"
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Frágil
Eu preciso de alguém
Dou-me com toda a gente
E não me dou a ninguém
Frágil
Sinto-me frágil
Faz-me um sinal qualquer
Se me vires falar de mais
Eu às vezes embarco
Em conversas banais
Frágil
Eu sinto-me frágil
Frágil
Esta noite estou tão frágil
Frágil
Já nem consigo ser ágil
Está a saber-me mal
Este whisky de malte
Adorava estar in
Mas estou-me a sentir out
Frágil
Eu sinto-me frágil
Acompanha-me a casa
Já não aguento mais
Deposita na cama
Os meus restos mortais
Frágil
Eu sinto-me frágil
Jorge Palma
sábado, fevereiro 09, 2008
Diário de um Aspie - 08/02/2008
Mais uma vez cá estou eu às duas e tal da manhã em frente ao computador para publicar mais disparates nocturnos (Sim, que isto depois da meia-noite só sai disparates!).
Decidi sair do armário e assumir-me como Aspie, descobri esta minha faceta há algumas semanas, durante este tempo vi explicada muita coisa do meu passado e agora ganhei coragem para declarar ao mundo: Sim, sou Aspie e com muito orgulho!
Espero que apesar disto, continuem a frequentar este estabelecimento, o qual não mudará a sua linha editorial nem embarcará em fundamentalismos à la Orgulho Aspie.
1 - Prof. Kimikkal, mestre no Amor
Esta manhã estava a tomar o meu leitinho com torradas quando me lembrei do que A. me tinha dito ontem sobre o noivo e os preparativos do casamento.
"Mais uma que seguiu os meus conselhos" - pensei, ao lembrar-me da benção que lhe dei quando começou a namorar com o futuro marido.
E realmente pareço ter jeito para Cupido, tal a quantidade de palpites acertados que dei até hoje, devia era abrir uma agência de aconselhamento matrimonial, até já estou a ver a cena, deixava crescer uma barbicha e passava a vestir roupas garridas, distribuindo em seguida papelinhos com o seguinte título: "PROF. KIMIKKAL, 2o anos de experiência no aconselhamento amoroso"
2 - Segurança Social
Fui à sede da Segurança Social de Aveiro para tratar de um assunto mas ao tirar a senha, constatei que tinha 120 pessoas à minha frente...Foi então que decidi aproveitar o tempo de espera para dar um salto à Loja do Cidadão e tirar uma outra senha para a Segurança Social de lá...Só tinha uns 30 números à minha frente, pelo que esperei e 45 minutos depois fui atendido, indo depois ao café. Só para fazer pirraça, dirigi-me de novo à sede para ver se já tinha chegado a minha vez.
Ainda faltavam 20...Olha se não tinha ido à Loja do Cidadão!!!
2.1 - A Espera
Enquanto esperei na Loja do Cidadão, aproveitei o tempo para avaliar a fauna que por lá andava, havendo um pouco de tudo (como na farmácia), desde a funcionária pública que foi pagar a conta do telefone à PT em pleno horário do serviço até ao imigrante à procura de legalizar a sua situação.
2.2 - Pelos do peito
A dada altura passou uma rapariga que me lembrou uma colega de curso conhecida pelo seu robusto buço.
Imediatamente recordei uma conversa tida acerca da dita, nomeadamente a seguinte passagem:
Eu - ...Mas olha que ela tem mamas, um dia vi-a de pijama e vi dois altos à frente...
Picassinos - Oh! Isso eram os pelos do peito!...
Piada de mau gosto, eu sei...Vou já flagelar-me pelo facto.
2.3 - Jogos
Na parte final da espera aconteceu-me algo curioso: Não queria ser atendido tão cedo.
Porquê? - perguntam vocês.
Porque estava a jogar o terceiro nível do Block Breaker e ainda não tinha perdido nenhuma vida...
3 - Cais da Fonte Nova
Cais da Fonte Nova? Bom.
Mamarracho Hotel Meliá? Mau.
Mercado Manuel Firmino? Bom.
Vista sobre o cemitério? Mau.
Forum Aveiro e Aveiro Centrum? Bom.
Mamarrachos em construção? Mau.
4 - Adolescentes
Reparei em três adolescentes vestidos da mesma maneira e tão parecidos que pareciam gémeos. Estranha esta juventude que abdica da individualidade em favor de modelos comportamentais tele-fashion...
5 - Novo link
Ria Activa, um blogue de Aveiro, sobre Aveiro e sem esquecer que a irreverência é sempre benvinda.
6 - Tunings
Descobri um dos shangri-la's desta tribo: As Norauto's e StationMarché's deste mundo...
7 - As várias faces de Estarreja
Nasci e as minhas raízes encontram-se na Margem Sul do concelho, cresci onde o relevo sobe para avistar espelhos de água no horizonte, neste momento vivo na Capital do Império e no futuro vou passar-me para as margens da Ria de Aveiro.
E com cada mudança, conheço sempre uma nova face do concelho de Estarreja.
8 - A alma fotografada
Há dias dei por mim a olhar para um álbum de fotografias do tempo de universitário e reparei que as várias feições presentes (alegre, arrogante, expressiva, comprometida, etc) traduzia em boa medida a personalidade dos fotografados.
Será que a fotografia capta a nossa alma?
9 - Music & Cinema
Filme Control: Muito bom. Poético.
Filme Feed: Perturbante.
Disco Metallica (Black Album) dos Metallica: O melhor Metal de sempre.
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Frágil
Como?
Já vos explico.
Desde novos que os rapazinhos são educados a exercitar o lado fanfarrão e exibicionista por forma a ostentar o lado macho perfeito e que lhes permitirá mais tarde integrar essa sociedade sinistra intitulada "Grupo de amigos", essa matilha de adolescentes que define os seus líderes pela quantidade de arrotes por minuto e hostilizam quem não demonstra destreza ao futebol.
Este grupo evolui anos mais tarde para "Colegas de trabalho", cuja actividade passa pelo levantamento de copos enquanto se comenta com brejeirices os decotes da secretária e da Engª. do Ambiente.
O irónico desta situação é que entre os principais responsáveis desta situação estão as mãezinhas dos meninos que num acto de traição ao género feminino, inculcam desde cedo uma série de dogmas e preconceitos aos rebentos, afirmando por exemplo "Menino não chora" ou incentivando até uma atitude marialva com as meninas (Já o contrário...).
Se à partida este tipo de educação não tem nada de mal e até pode ser vista como positiva por alguns, certo é que eles são treinados desde cedo a esconder os sentimentos e em particular as suas fragilidades, sendo visto como "Coisa de maricas".
O problema é que ao esconder este aspecto num baú blindado, não desenvolvem meios de lidar com muitas situações que atravessam, acabando por funcionar como um vulcão: Aguentam a pressão sem sinais de ruptura visíveis até que um dia explodem afectando tudo o que lhes rodeia.
Seria tão mais fácil se fizéssemos como Jorge Palma, não acham?
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Just another day in Oporto
Entro no comboio e sento-me num lugar perto da porta à espera do arranque. Ao contrário do que é normal, o comboio vai com pouca gente. Talvez seja do frio.
Pouco antes de arrancar, entra um casal cheio de sacos de viagem na composição. Cansados de vir a correr, sorriem um para o outro enquanto tentam encontrar um lugar para deixar os seus haveres.
O comboio arranca e o jovem casal senta-se à minha frente.
Ele, de barbas, chapéu e longas rastas, veste algo que se assemelha a um uniforme militar, mas destoa pelos rasgos e pins que parecem brotar do mesmo.
Ela, também de rastas e sorriso despreocupado, usa roupas coloridas e algo coçadas pelo uso e pelo tempo.
Falam não muito alto mas o suficiente para perceber que planeiam acampar no Alentejo, enquanto referem peripécias passadas com a mesma leveza com que falam de projectos futuros.
Dei por mim com uma ponta de inveja. Não pelo estilo de vida, mas olhando-os, sinto que são livres.
Livres de obrigações, livre de problemas, livres de ocupações, livres de... Simplesmente livres.
Vivem um dia após outro, alheios às amarras da sociedade, talvez conscientes de que não poderão viver sempre assim, mas sem que tal lhes iniba o sabor de liberdade.
Ao contrário de muitos, eles sabem que o dinheiro pode ser uma droga como outra qualquer a partir do momento em que deixamos de ter tempo para usufruir o que ele nos pode dar e desejamos mais. E mais, e mais, e mais...Até descobrirmos que passámos pela vida como um ciclista desejoso de cortar a meta que nunca chega. Pois bem, a meta é a morte.
Sim, invejo-os pela minha incapacidade em fugir à norma, pela pouca vontade em seguir em direcção ao sol poente, contentando-me em ser apenas mais um pinguim. De headphones.
Ena, headphones, és mesmo rebelde...
terça-feira, janeiro 22, 2008
Love is a Losing Game
Love is losing game - Amy Whinehouse
Não querendo cair no cliché intelectualóide do ah-pois-mas-eu-já-a-conhecia-desde-o-primeiro-disco-quando-ainda-não-era-conhecida-esse-é-que-era-bom-agora-a-tipa-vendeu-se-às-multinacionais, devo dizer que já conhecia a Amy Whinehouse desde o primeiro disco, tendo ficado bem impressionado com aquele som R&B-Jazzy-com-alcool-a-mais-em-final-de-noitada.
A meu ver Frank, o primeiro disco, era bem mais interessante que o disco de estreia de Joss Stone, só que...
Faltava a carinha laroca, Amy não é nenhuma boneca de plástico tipo Britney e nos tempos que correm, isso conta. E muito.
Daí a criação da persona-bad-girl-retro para Back to Black, o qual aliou um estilo retro-original à confiança ganha no primeiro disco, conquistando as tabelas mundiais com pérolas como esta Love is a losing game.
E no entanto prefiro o primeiro disco. Talvez por ser mais sincero, mais...terra-a-terra. Como neste Stronger than me.
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Talking to myself
Inner Me - Omdat u niet wilt helpen.
Me - Ja, maar waarom?
Inner Me - Omdat je bang bent dat je kan laten down die ooit helpt u verder.
